Sindicato pede intervenção da ministra nos alegados casos de maus tratos na cadeia de Angra
29 de mai. de 2025, 16:31
— Lusa/AO Online
“Ainda
ontem [quarta-feira] pedimos a intervenção da senhora ministra nesta
situação, porque tem de se acabar com esta novela mexicana. Tem de ser
feita uma investigação o mais rápido possível para tentar apurar os
factos e se houver responsáveis serem condenados”, afirmou, em
declarações à Lusa, o presidente do sindicato, Frederico Morais.No
final de abril, a CNN Portugal denunciou o caso de um recluso, com uma
patologia do foro psiquiátrico, que terá sido colocado numa cela
sozinho, em roupa interior, sem colchão e só com dois cobertores, no
Estabelecimento Prisional de Angra do Heroísmo.O
caso motivou uma queixa no Ministério Público, depois de o recluso ter
sido internado, com sinais de hipotermia, no Hospital da Ilha Terceira.A
CNN Portugal noticiou agora um caso semelhante que terá ocorrido no
mesmo estabelecimento prisional, em março, com outro recluso.Segundo
uma denúncia anónima, de profissionais que trabalham naquele
estabelecimento, a que a Lusa teve acesso, no dia 19 de março o recluso
ameaçou incendiar a cela e, “como reação, o diretor mandou aos serviços
de vigilância que lhe fosse retirado todo o vestuário pessoal, exceto as
cuecas, bem como o colchão, isqueiro, tabaco, copo, produtos de
higiene, roupa de cama e toalhas de banho”.A
denúncia refere que foi-lhe concedido que fizesse uma chamada
telefónica e o recluso apresentou-se na cabine "de cuecas e chinelos
abertos, queixando-se de padecer de imenso frio”, regressando à cela
“sob uma temperatura não adequada à estação do ano, onde foi fechado e
permaneceu nestas condições desumanas”.Os
profissionais que apresentaram a denúncia apontam documentos e imagens
que podem comprovar o que descrevem e falam numa atitude “gravíssima,
intolerável e preocupante”.Dizem ainda que
não podem “compactuar com maus tratos infligidos aos reclusos” e que a
atuação do diretor da cadeia é “recorrente”.Questionado
pela Lusa sobre este novo caso, o presidente do Sindicato Nacional do
Corpo da Guarda Prisional defendeu que “é preciso apurar o mais rápido
possível o que realmente aconteceu, quem são os culpados e, se houver
matéria disciplinar ou criminal, tirar as consequências”.“É
muito importante que a senhora ministra tenha uma mão pesada nisto. Tem
de ser o Ministério a intervir, porque está na altura de acabar com
esta novela mexicana. Está o corpo da guarda prisional, os serviços
prisionais, toda a gente com o nome a ser falado, quando isto já podia
ter terminado há muito tempo”, salientou.Quando
o primeiro caso foi divulgado, 47 guardas prisionais subscreveram um
abaixo-assinado a defender a atuação do diretor da cadeia e a criticar
as declarações do dirigente sindical, que foi enviado à Direção-Geral de
Reinserção e Serviços Prisionais.No entanto, alguns desses guardas já pediram para retirar o nome do abaixo-assinado.Frederico
Morais, que esteve recentemente num plenário sindical na ilha Terceira,
disse que os guardas perceberam que a denúncia não partiu do sindicato,
que se limitou a defender o corpo da guarda prisional, quando foi
contactado pela comunicação social.“Os
guardas manifestaram que tinham sido induzidos em erro no
abaixo-assinado e não se reviam no que estava lá e nem queriam, de todo,
pôr o sindicato em causa”, contou.O
dirigente sindical admitiu que a corporação está dividida, mas disse
temer que se tente responsabilizar os guardas, “o elo mais fraco”, por
estes atos.“Dá-me a entender que há aqui
uma manipulação e é grave, porque isto vai ter consequências. O
Ministério Público está a investigar”, salientou.