Sindicato pede ao primeiro-ministro que reavalie nomeação para a presidência do INEM
20 de out. de 2025, 16:40
— Lusa/AO Online
Numa carta enviada ao primeiro-ministro, o
STEPH apelou a que Luís Montenegro “reavalie esta eventual nomeação”,
garantindo que a escolha do nome para a presidência do Instituto
Nacional de Emergência Médica (INEM) seja “orientada pelos princípios da
competência, da continuidade e do interesse público”.Contactado
pela Lusa, Luís Cabral, médico especialista em medicina de urgência e
de emergência, adiantou que “aguarda serenamente” o desenvolvimento do
processo de nomeação, não pretendendo prestar declarações nesta fase.Segundo
o sindicato, a nomeação de Luís Cabral para presidente do instituto,
ainda não confirmada pelo Governo, é uma “decisão que pode representar
um retrocesso no caminho de cooperação e modernização que vinha sendo
trilhado”, colocando em causa o “espírito de confiança e estabilidade
que tem sido cuidadosamente construído”.“Enquanto
se aguarda o relatório da comissão técnica independente para a
refundação do INEM, bem como a nova lei orgânica, a liderança do INEM
deve promover estabilidade, cooperação e continuidade do caminho
trilhado nos últimos meses com o Governo”, salienta ainda a carta do
STEPH.De acordo com o sindicato, as
posições públicas e o trabalho realizado pelo médico Luís Cabral nos
Açores “são contrárias à melhor evidência [informação] científica”, além
de assentarem “num sistema seis vezes mais caro do que o utilizado no
continente”.O STEPH aponta as conclusões
de uma auditoria de 2024 do Tribunal de Contas (TdC) ao sistema de
emergência médica nos Açores, que revelou, segundo o sindicato, um
“sistema frágil, demorado e pouco eficaz”.Divulgado
em dezembro de 2024, o relatório do TdC concluiu que a Proteção Civil
dos Açores gastou 5,8 milhões de euros em emergência médica em 2022, mas
a resposta às situações mais graves não cumpriu os padrões
internacionais e faltavam meios humanos no Serviço de Suporte Imediato
de Vida.O processo de nomeação do novo
presidente do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), aberto em
janeiro, foi interrompido devido à marcação das eleições antecipadas de
maio, mantendo-se em funções no cargo Sérgio Janeiro, que tinha sido
nomeado por 60 dias.O Ministério de Ana
Paula Martins já tinha recebido as propostas da Comissão de
Recrutamento e Seleção para a Administração Pública (CReSAP) sobre os
candidatos que se apresentaram para o cargo.O
concurso abriu em 06 de janeiro e terminou no dia 19 do mesmo mês,
depois de um primeiro concurso que não teve candidatos suficientes.Especialista
em medicina de urgência e emergência e em anestesiologia, com
competência em emergência médica, Luís Mendes Cabral é atualmente
diretor clínico do Serviço Regional de Proteção Civil e Bombeiros dos
Açores, onde também é médico regulador e formador.
Integra a equipa de evacuações aéreas no Hospital do Divino Espírito
Santo, da Ilha Terceira, e foi secretário regional da Saúde do Governo
dos Açores de 2012 a 2016.