Sindicato pede ao governo para rever sistema de ajuda aos seguros da pesca
19 de set. de 2022, 07:34
— Paulo Faustino
O Sindicato Livre dos Pescadores, Marítimos e
Profissionais Afins dos Açores defende que a ajuda do governo destinada
ao pagamento dos seguros dos pescadores deve ir para a conta dos
beneficiários e não, como atualmente acontece, para a conta do armador.Em
causa está um prémio de seguro atribuído pela Direção Regional das
Pescas, no valor de 200 euros por cada tripulante segurado o ano
inteiro, no âmbito do Regime de Apoio à Segurança a Bordo.Acontece
que a canalização deste apoio para a conta do armador, segundo o
presidente do sindicato, “gera conflitos escusados entre armadores e
pescadores, com estes últimos quase sempre os mais lesados”.“O
seguro é obrigatório para este prémio, assim como no Fundopesca, com a
diferença acentuada que o Fundopesca vai para a conta de cada um, seja
armador, seja assalariado. Contudo, com os prémios dos seguros, este
dinheiro reservado aos pescadores vai para a conta do armador, em vez de
se adotar a metodologia do Fundopesca, muito mais justa”, enfatiza Luís
Carlos Brum, lembrando que “os companheiros também descontam para os
seguros”.O sindicalista aponta, de igual modo, a “carestia dos
seguros dos tripulantes”, salientando a situação “insuportável” que tem
criado a quem paga o seguro, os armadores.“O orçamento para
assegurar o seguro de um pescador, anualmente, é com base no Salário
Mínimo Regional. Ora, como é sabido, este salário é atualizado todos os
anos, em detrimento da estagnação do prémio de seguro, que se mantém nos
200 euros por tripulante, requerendo-se nestas circunstâncias uma
atualização do prémio, repondo a justiça nas coisas”, acentua. Brum faz
notar que os tomadores de seguro “gastam cada vez mais nos seus
compromissos, incluindo os companheiros com o seu desconto para o
seguro, no entanto, veem os seguros a subir e os seus direitos
congelados”.Para o sindicato, a Administração Regional deve dar uma
resposta para fazer face às “imensas despesas da pesca” e, no fundo, aos
“enormes problemas com que se debatem os pescadores”, por forma a
também criar-se “uma situação mais clara e transparente entre armadores e
assalariados da pesca”.