Sindicato olha com “alguma preocupação” para privatização da Azores Airlines
19 de jul. de 2022, 06:24
— Lusa/AO Online
Em declarações à agência
Lusa, Ricardo Penarroias salientou a necessidade de “serem respeitados”
os acordos da empresa e preservados os postos de trabalho.“É
uma incógnita. Não sabemos, neste momento, que impacto poderá ter ou
não junto dos tripulantes e junto da própria companhia no seu todo.
Olhamos com alguma preocupação, como é lógico”, começou por dizer.E
acrescentou: “tendencialmente, em Portugal, temos visto que o setor
privado, muitas vezes, é sinónimo de investimento, mas também de
atropelo à lei. Tem sido uma prática reiterada em Portugal”.Decorreu em Lisboa uma Assembleia Geral dos associados do SNPVAC da Azores Airlines.O
presidente do sindicato realçou que a privatização da companhia aérea
não foi abordada na reunião onde foi dado um “voto de confiança” à
direção do SNPVAC para “negociar o futuro acordo de empresa”.Penarroias
destacou ainda que as relações entre os trabalhadores e a companhia
aérea açoriana têm sido “muito diplomáticas”, afirmando que a
administração da SATA é composta por “pessoas que estão dentro do ramo e
não por políticos a brincar às companhias aéreas”.A
07 de junho, o presidente do Governo dos Açores defendeu que a
privatização da transportadora Azores Airlines “pode ser uma virtude” e
reiterou que o Plano de Reestruturação da SATA, já aprovado pela
Comissão Europeia, não prevê despedimentos coletivos.A Comissão
Europeia aprovou uma ajuda estatal portuguesa para o apoio à
reestruturação da companhia aérea SATA, de 453,25 milhões de euros em
empréstimos e garantias estatais, prevendo 'remédios' como uma
reorganização da estrutura empresarial.A
privatização de 51% da companhia aérea SATA Azores Airlines (ligações
com o exterior) e dos serviços de ‘handling’ é uma imposição de Bruxelas
para “salvar a SATA Air Açores” (ligações interilhas), segundo disse
o Governo Regional (PSD/CDS-PP/PPM).As
dificuldades financeiras da SATA perduram desde pelo menos 2014, altura
em que a companhia aérea detida na totalidade pelo Governo Regional dos
Açores começou a registar prejuízos, agravados pelos efeitos da pandemia
de covid-19, que teve um enorme impacto no setor da aviação.