Sindicato na Madeira classifica como “migalha” aumento salarial de 1%
Crise/Inflação
28 de mar. de 2023, 13:24
— Lusa/AO Online
“A nossa
posição acerca destas últimas medidas é que elas configuram umas
migalhas”, disse à agência Lusa o presidente do STFP-RAM, Ricardo
Gouveia.Na sexta-feira, o ministro das
Finanças, Fernando Medina, anunciou que os funcionários públicos vão ter
um novo aumento salarial de 1% este ano e uma subida no subsídio de
alimentação de 5,20 para seis euros, afirmando que representam "uma
medida de justiça para todos aqueles que celebraram o acordo de
rendimentos com o Estado".“Nós entendemos
que isto continua a ser insuficiente, é uma migalha do Governo da
República, porque os graves problemas continuam a persistir e continuam a
subsistir todas as razões que estiveram subjacentes à greve que foi
decretada no corrente mês”, acrescentou Ricardo Gouveia.O
presidente do STFP-RAM, que integra a Frente Comum de Sindicatos da
Administração Pública, considerou ainda que as medidas constituem “mais
fumo do que fogo”, sublinhando ser necessário “continuar a lutar” para
que ocorra uma “reposição efetiva do poder de compra”.“Nós
entendemos que é preciso ir mais além e que isto é insuficiente”,
disse, insistindo que as novas medidas são “mais fumo do que fogo” já
que, após tantos anos, “a função pública precisa que o seu poder de
compra seja reposto, porque foi uma das classes do país que mais pagou
fatura da crise de 2012, que levou à implementação de um severo programa
de austeridade, que foi pago, na maioria pela função pública”.Ricardo
Gouveia realçou que as reivindicações da Frente Comum permanecem
inalteradas, nomeadamente que a primeira posição remuneratória passe
para 950 euros e que seja aplicado um aumento de 100 euros em todas as
posições, bem como o aumento do subsídio de alimentação para um valor
aproximado dos sete euros. “Nós vamos
continuar a nossa reivindicação e a aderir às formas de luta que forem
implementadas a nível nacional, porque isto é uma matéria que tem de ser
resolvida pelo Governo da República, uma vez que é da competência
absoluta da Assembleia da República”, disse. Em
janeiro, a base remuneratória da administração pública aumentou de 705
euros para 761,58 euros (cerca de 8%), enquanto os trabalhadores que
ganham até cerca de 2.600 euros brutos receberam um aumento de 52,11
euros e, a partir desse valor, foi aplicada uma atualização de 2%.Na
sexta-feira, o ministro das Finanças disse que o aumento adicional de
1% e a subida de 5,20 euros para seis euros no subsídio de alimentação
representam "uma medida de justiça para todos aqueles que celebraram o
acordo de rendimentos com o Estado"."Honramos
esse acordo com um aumento adicional de 1% para todos os trabalhadores
da administração pública portuguesa porque é isso que resulta da
aplicação e dos resultados das contas finais de 2022", realçou.