Sindicato médico diz que até final do ano será alcançado acordo sobre organização do trabalho
13 de nov. de 2024, 15:36
— Lusa/AO Online
“No
final da quinta reunião, após o protocolo negocial, já se começaram a
discutir as normas particulares da organização do trabalho médico que
versam sobre horários, sobre descansos compensatórios, sobre direitos
alargados da parentalidade”, disse à agência Lusa o secretário-geral do
SIM, Nuno Rodrigues.Segundo o dirigente
sindical, iniciou-se a discussão “ponto a ponto” da proposta apresentada
pelo SIM, com um acordo já nalgumas alíneas, que irá continuar a ser
revista em reuniões mais técnicas.“Mas já
há o acordo tácito que, até ao final do ano, chegaremos a um acordo
sobre as normas” de organização e disciplina do trabalho médico que
visam promover a conciliação entre a vida profissional e pessoal, em
especial para trabalhadores médicos com responsabilidades familiares.Entre
essas normas estão horas para atividade de orientação de formação, para
atividade não assistencial, pausas e intervalos de descanso,
compensações e benefícios pelo trabalho suplementar e benefícios
relacionados com a parentalidade. Na reunião, em que estiveram
presentes a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, e as secretárias de
Estado da Gestão da Saúde, Cristina Vaz Tomé, e das Administração
Pública, Marisa Garrido, também foi debatida a aplicação do regime de
dedicação plena aos médicos do Instituto Nacional de Emergência Médica
(INEM) e aos clínicos que trabalham em cuidados paliativos. “O
Governo acedeu a esta reivindicação do SIM e concorda que era de
inteira justiça e, portanto, vai haver essa alteração” ao regime de
dedicação plena, um modelo de organização do trabalho assente, em regra,
no trabalho desenvolvido por equipas multidisciplinares que integram as
Unidades de Saúde Familiar, na área dos cuidados de saúde primários, e,
nos Centros de Responsabilidade Integrada, na área hospitalar.A
avaliação de desempenho foi outro tema discutido na reunião no
Ministério da Saúde, tendo o Governo apresentado uma proposta de
simplificação do Sistema Integrado de gestão e avaliação do desempenho
na Administração Pública (SIADAP) que permitir que “os médicos possam
finalmente ser avaliados de forma rápida e simples”.A
proposta contém uma cláusula que garante que, se os médicos se não
forem avaliados, podem ser sujeitos a uma avaliação curricular “muito
rápida, num prazo de 60 dias, em relação à avaliação que deveriam ter
tido”, avançou.“Vamos deixar de ter esta
questão de termos 70% dos médicos sem estarem avaliados, e para o futuro
garante que os médicos realmente poderão receber os pontos devidos e
progredir na carreira”, enfatizou.O líder
do SIM disse ainda que “o Governo estará em condições de apresentar uma
contraproposta” em termos de grelha salarial, na próxima reunião (02 de
dezembro).Sobre os aumentos pedidos pelo
SIM, o sindicalista afirmou que o sindicato não pede “nem mais nem menos
do que ao Governo anterior [PS]”, um aumento de 30%.No
final do ano passado, o SIM assinou um acordo intercalar que rondou os
15%, esperando que agora sejam cumpridos os restantes 15%.“O
objetivo é que até ao final do ano haja resolução dos pontos do
protocolo negocial para poder haver uma estabilização e uma perspetiva
renovada de futuro para os médicos no SNS”, disse Nuno Rodrigues.