Sindicato lança petição para aumentar acréscimo ao salário mínimo nos Açores
17 de abr. de 2023, 12:48
— Lusa/AO Online
“Propõe-se o acréscimo regional à
retribuição mínima mensal garantida de 5% para 10%, para os
trabalhadores por conta de outrem, mantendo a sua indexação à
retribuição mínima mensal garantida nacional, para que possa contribuir
para atenuar as consequências do aumento do custo de vida sobre as
camadas sociais mais fragilizadas e repor alguma justiça relativa nas
remunerações dos trabalhadores açorianos”, lê-se na petição, apresentada
em conferência de imprensa, em Angra do Heroísmo.Nos
Açores, o salário mínimo tem um acréscimo de 5% face ao estabelecido a
nível nacional, sendo atualmente de 798 euros, mais 38 euros no que no
continente português.O SITACEHT reivindica
um aumento do acréscimo para 10%, elevando a diferença do salário
mínimo nacional para 76 euros, o que faria com que os trabalhadores
ganhassem, após os descontos, 744,04 euros por mês, em vez dos atuais
710,22 euros.“Os trabalhadores açorianos
têm de fazer face a um custo de vida que é agravado pela insularidade e
continuam a ter um rendimento médio bastante inferior ao dos
trabalhadores do continente”, justifica a petição.Para
ser discutida na Assembleia Legislativa dos Açores, a petição terá de
reunir, no mínimo, 300 assinaturas, número que o coordenador do
SITACEHT/Açores, Vítor Silva, acredita que será facilmente superado.“Contamos
que rapidamente reúna as 300 assinaturas necessárias para ser discutida
na Assembleia Legislativa. Esperamos que o número seja muito superior a
estas 300 para que efetivamente as forças políticas percebam a justiça
desta medida. Em muitos dos casos, é a única forma de muitos
trabalhadores açorianos terem efetivamente um aumento salarial”,
afirmou.O dirigente sindical sublinhou que
atualmente “mais de 11% dos trabalhadores açorianos vivem abaixo do
limiar da pobreza” e que há “uma grande disparidade entre os rendimentos
dos trabalhadores açorianos e os de outras regiões do país”.“São
cada vez mais os trabalhadores nos Açores a ganhar o salário mínimo e
sem terem outras compensações remuneratórias, como acontece a nível
nacional, porque estão consagradas na contratação [coletiva], como o
subsídio de alimentação, as diuturnidades, o subsídio de risco ou o
subsídio de turno”, frisou.O aumento do
acréscimo ao salário mínimo regional já foi discutido várias vezes na
Assembleia Legislativa dos Açores, mas nunca foi aprovado.Vítor
Silva alegou, no entanto, que há uma “mudança de paradigma” na luta
laboral e que as greves e manifestações, cada vez mais frequentes, vão
exigir uma mudança de mentalidades.“As
pessoas já chegaram a um ponto em que têm mesmo de sair à rua, têm de
denunciar as situações, porque é injusto que alguém que trabalhe não
possa viver com dignidade do seu trabalho. Isto faz com que as pessoas
vão participando cada vez mais e faz com que a própria sociedade
açoriana tenha uma consciência completamente diferente”, apontou.O
sindicalista defendeu que as empresas nos Açores têm margem para
aumentar os vencimentos e reivindicou uma atualização de toda a tabela,
não apenas dos salários mínimos.“Não há
setor que não diga que está em franco crescimento. Nós vemos o setor do
Turismo a ter o melhor primeiro trimestre de sempre, acompanhado pela
restauração, porque os turistas também consomem na restauração. Vemos o
setor do comércio com um crescimento muito significativo, que
infelizmente não se traduz em favor dos funcionários. Acreditamos que
existem condições”, vincou.