Sindicato insiste na necessidade de revisão da tabela salarial na base das Lajes
9 de out. de 2024, 12:43
— Lusa/AO Online
“Foi criado um suplemento que é
acrescentado ao salário base e esqueceram-se de que na tabela salarial
existem vários escalões que contemplam as diuturnidades (…) Um
trabalhador que tenha 10 ou 15 anos de serviço e que já tenha duas
diuturnidade, quando chega ao fim do mês vai ganhar 861 euros, como
qualquer trabalhador que vai começar ao serviço e não tem experiência”,
afirmou o dirigente sindical Vítor Silva.O
coordenador do Sindicato das Indústrias Transformadoras, Alimentação,
Comércio e Escritórios, Hotelaria e Turismo (SITACEHT) nos Açores falava
numa conferência de imprensa, em Angra do Heroísmo, para denunciar uma
situação para a qual alerta desde 2021.A
atualização das tabelas salariais dos cerca de 450 funcionários
portugueses ao serviço das Feusaçores (forças norte-americanas
destacadas na base das Lajes) não tem acompanhado o ritmo do aumento do
salário mínimo nacional.Em julho de 2024,
os trabalhadores da base das Lajes, foram aumentados
em 4,7%, mas há vários graus e escalões da tabela salarial com valores
abaixo de 861 euros, valor fixado em janeiro para o salário mínimo
regional nos Açores, que tem um acréscimo de 5% face ao salário mínimo
nacional.A situação repete-se nos
primeiros graus de três tabelas e, numa delas, o salário mínimo é
absorvido no escalão 3, equivalente a três diuturnidades.Para
evitar que os trabalhadores portugueses aufiram menos do que o salário
mínimo regional, foi criado um suplemento, que iguala o valor recebido a
861 euros, mas isso significa que não há diferenciação de vencimentos
entre os diferentes escalões afetados.“Para
mim o que é mais inconcebível é que alguém considere isto uma boa
solução”, criticou Vítor Silva, acrescentando que o aumento salarial
alcançado em 2024 (4,7%) foi inferior ao de 2023.Como
a tabela salarial na base das Lajes só é atualizada em julho, no início
de 2025, com um previsível novo aumento do salário mínimo regional,
serão abrangidos mais graus e escalões.“Isto
não faz nenhum sentido, é uma situação injusta, discriminatória e que
não existe em mais lado nenhum no nosso país, porque vencimento é
vencimento e diuturnidades são diuturnidades”, reforçou o dirigente
sindical.O coordenador do SITACEHT/Açores
já solicitou reuniões com partidos políticos e com o vice-presidente do
Governo Regional para pedir a correção desta situação.“Podia-se
ter criado um mecanismo muito simples, que era dizer: o primeiro grau
da tabela salarial tem de ser igual ou superior ao salário mínimo
praticado na região. É tão simples quanto isso”, defendeu, acrescentando
que a tabela devia ser atualizada em janeiro.Vítor
Silva apontou responsabilidades ao Governo português por “se ter
apressado a vir legalizar os incumprimentos por parte dos
norte-americanos”, aceitando a criação do suplemento em vez de exigir a
revisão da tabela salarial.“Acho que toda a
gente percebe que os norte-americanos têm condições para pagar muito
mais do que isso, aliás pagam em todas as outras bases em que estão no
continente europeu. A base das Lajes é das que têm salários mais
baixos”, vincou.O dirigente sindical
insistiu na necessidade de revisão da tabela salarial, lembrando que a
última revisão ocorreu há quase 30 anos.“A
mim espanta-me que nunca se consiga nada em troca da parte
norte-americana e que tenha de ser sempre a parte portuguesa a ceder.
Revolta-me que os trabalhadores sejam sempre os prejudicados neste
processo”, salientou.Segundo o
sindicalista, oito funcionários já apresentaram queixas aos comandantes
português e norte-americano, mas o processo é “difícil e
desencorajador”.