Sindicato faz "balanço positivo" da greve às horas extraordinárias na AIMA
30 de dez. de 2024, 18:05
— Lusa/AO Online
"Faço
um balanço positivo da greve porque foi decidida pelos trabalhadores",
permitindo “a quem quisesse recusar horas extraordinárias" pedidas pela
chefia, disse à Lusa Artur Cerqueira, dirigente da Federação. A
greve, que termina na terça-feira, foi convocada em agosto na sequência
dos pedidos de horas extraordinárias acima do limite legal aos
funcionários, recordou o dirigente. Tratou-se de "um recurso" que "estava disponível para qualquer trabalhador" que não quisesse fazer horas extraordinárias. Desde
então, "já tivemos reuniões com a tutela e a direção da AIMA", que
reconheceu o excesso de horas extraordinárias, para tentar acelerar o
acompanhamento dos processos de regularização de imigrantes, explicou
Artur Cerqueira.No caderno reivindicativo
da Federação que sustentava o pré-aviso são referidos vários problemas
na AIMA, entre os quais a ausência de um regulamento interno, a falta de
comunicação interna, equipas "subdimensionadas, que se traduz numa
sobrecarga de trabalho e níveis elevados de 'stress' e ansiedade".De
acordo com o documento, a que a Lusa teve acesso, muitos dos
funcionários "já ultrapassaram as 150 horas de trabalho extraordinário"
em 2024 (o limite legal para a função pública), mas "continuam a fazer
horas extraordinárias sem que lhes sejam pagas"."A
Federação considera que a situação a que chegámos resulta do conjunto
de políticas erradas de vários governos", mas "o importante e urgente é
que o Governo assuma as suas responsabilidades e que devem ser tomadas
todas as medidas, com caráter de urgência", pondo "fim ao atropelo aos
direitos dos trabalhadores e dos cidadãos", referia ainda a estrutura
sindical.No final de julho, o Governo
nomeou Pedro Portugal Gaspar para a direção da AIMA e transferiu o então
presidente da organização, Goes Pinheiro, para a nova estrutura de
missão para as migrações.A nova Estrutura
de Missão para a Recuperação de Processos Pendentes de imigrantes,
prevista no Plano de Ação para as Migrações, tem como missão "resolver o
histórico dos mais de 400 mil processos de regularização pendentes de
análise, acumulados ao longo dos últimos anos", referiu então o
executivo.