Sindicato dos tripulantes avança com greve na Ryanair em 24, 25 e 26 de junho
14 de jun. de 2022, 14:22
— Lusa/AO Online
Segundo
a mensagem, a direção do SNPVAC resolveu “apresentar um pré-aviso de
greve a realizar nos dias 24, 25 e 26 de junho, sendo decretada para
todos os voos da Ryanair, cujas horas de apresentação ocorram entre as
00:00 e as 23:59 desse dia (horas locais da base do tripulante), bem
como para os demais serviços (assistência ou qualquer tarefa no solo, ou
seja, qualquer tarefa ordenada pela empresa, nomeadamente instrução ou
outro serviço em que o tripulante preste atividade, situações de
deslocação, refrescamentos ou quaisquer outras ações de formação no
solo, deslocações às instalações da empresa)”."A
Ryanair, após não conseguir chegar a acordo com o SNPVAC exclusivamente
por exigirmos que o Acordo de Empresa (AE) negociado deveria cumprir
com as regras estabelecidas na legislação portuguesa, conseguiu negociar
e aprovar um AE que integra cláusulas ilegais com outro sindicato”,
indicou o SNPVAC, garantindo que a estrutura em causa, o STTAMP -
Sindicato dos Trabalhadores dos Transportes de Portugal, “à época não
tinha associados da Ryanair, nem de qualquer outra companhia de
aviação”.“Reiteramos que a Ryanair
escolheu um sindicato que não possuía nenhum tripulante de cabine
filiado para assinar um acordo e forçou os seus trabalhadores a
filiarem-se ao mesmo, sob pena de piorarem ainda mais as suas
condições”, garantiu o SNPVAC, referindo que “os direitos laborais
básicos não podem ser esquecidos, muito menos no desejo de aumentar a
quotização”.“Também sabemos que tal é
prática corrente noutros países: acordos celebrados entre sindicatos que
desconhecem por completo o que é ser tripulante de cabine e as
respetivas condições de trabalho numa aeronave”, garantiu, destacando
que a “Ryanair tem um longo historial de ilegalidades e falhas no
cumprimento da lei”.“O SNPVAC, associação
de direito público, que tem como pressupostos a defesa dos seus
Associados e o cumprimento da lei portuguesa, repudia veementemente não
apenas as práticas abusivas e discriminatórias da Ryanair, mas também a
sua normalização por sindicatos que apenas procuram crescimento e
retorno financeiro, em vez da prossecução dos direitos legalmente
consagrados dos trabalhadores”, criticou o SNPVAC. A
estrutura disse depois que “todos os trabalhadores em Portugal têm o
direito legalmente consagrado a receber subsídio de férias e de Natal e
que esse direito é inalienável”, e que a “Ryanair continua a discriminar
os trabalhadores associados no SNPVAC, nomeadamente em matérias de
horário de trabalho e promoções internas”.Além
disso, indicou, as condições de trabalho têm-se deteriorado “por culpa
exclusiva do comportamento persecutório da empresa”, acusando a
companhia aérea ‘low cost’ de continuar "a tratar os trabalhadores sem o
mínimo de dignidade e probidade inerente à posição de empregadora”.“A
Ryanair perpetrou despedimentos contra todos os representantes
sindicais associados do SNPVAC”, disse ainda, assegurando que ao longo
dos últimos dois anos, a direção do SNPVAC sempre se pautou por uma
postura responsável e séria, procurando o diálogo junto da empresa”. “Pela
via da negociação e diálogo a empresa não demonstrou vontade de emendar
condutas e cumprir com o estabelecido na lei portuguesa”, referiu o
sindicato.“Uma vez que estão assegurados
os voos de ligação entre as Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira e o
Continente através de outras operadoras (TAP, Azores Airlines e
easyJet), existem meios alternativos de transporte aéreo”, disse ainda o
sindicato, referindo que, por isso, não há “fundamento, no caso
concreto, para a fixação de quaisquer serviços mínimos”.O
STTAMP e a Ryanair chegaram a acordo para acelerar a recuperação "de
valores remuneratórios perdidos por força da crise pandémica", indicou a
estrutura, em comunicado, no dia 02 de junho.Assim,
o STTAMP, "organização sindical que representa cerca de 80% de todos os
trabalhadores da Ryanair em Portugal", informou que "chegou a acordo
com a companhia aérea irlandesa" por forma a permitir "acelerar a
recuperação dos valores remuneratórios perdidos por força da crise
pandémica".Segundo o sindicato, este
"acordo agora assinado permite ainda aos trabalhadores registar um
acréscimo salarial significativo nos próximos dois anos", sendo que
"durante este intervalo de tempo serão ainda discutidas outras matérias
relevantes para as condições de trabalho dos trabalhadores, criando um
instrumento de regulação mais benéfico e adaptado às circunstâncias
específicas do setor", destacou.Esta
segunda-feira, também os sindicatos espanhóis USO e Sitcpla convocaram
os tripulantes de cabine da Ryanair para seis dias de greve, com duração
de 24 horas, entre junho e julho, exigindo a retoma das negociações do
acordo coletivo.A convocatória abrange os dias 16, 24, 25 e 30 de junho, bem como 01 de 02 de julho.