Sindicato dos Transportes diz que reestruturação tem a “receita” do resgate financeiro
TAP
29 de nov. de 2020, 11:56
— AO Online/ Lusa
“Não podemos aceitar nem concordar com a forma como o plano foi desenhado, uma vez que esta restruturação aplica a mesma receita na TAP que foi aplicada ao país nos tempos do resgate financeiro, que não nos podemos esquecer o quão dura foi também para os trabalhadores da TAP, nessa altura”, sublinhou, em comunicado.O plano de reestruturação da TAP prevê o despedimento de 750 trabalhadores de terra e corte de 25% na massa salarial, exceto nos ordenados mais baixos, segundo um comunicado conjunto de sete sindicatos, divulgado no sábado.“No que concerne ao pessoal de terra, redução de 450 trabalhadores da M&E, mais 300 trabalhadores da sede, isto é, um total de 750 trabalhadores de Terra”, lê-se no comunicado assinado pelo Sindicato dos Economistas (SE), Sindicato dos Engenheiros (SERS), Sindicato dos Contabilistas (SICONT), Sindicato das Indústrias Metalúrgica e Afins (SIMA), Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Aviação Civil (SINTAC), Sindicato dos Quadros da Aviação Comercial (SQAC) e pelo Sindicato dos Técnicos de ‘Handling’ de Aeroportos (STHA).Esta estrutura sindical disse não compreender que o atual Governo, liderado pelo socialista António Costa, na altura “tão crítico” de políticas de austeridade e de reduções salariais, venha agora elaborar um plano de restruturação da companhia aérea nacional assente nos mesmos pressupostos.“É, neste momento, que o país deve fazer uma reflexão muito para além dos números e da folha de cálculo, sabendo que poderão ser destruídos milhares de postos de trabalho diretos e não sabemos quantificar quantos mais poderão ser sacrificados indiretamente”, entendeu.O sindicato considerou ser tempo de refletir porque se tratam de vidas, de pessoas e de famílias que, desde março, tem “fortes reduções salariais” e que, neste momento, se debatem com a iminência do desemprego ou diminuição do seu rendimento.É importante que haja uma consciência nacional do impacto destas medidas nas contas do Estado, quer pela via do pagamento de subsídios de desemprego, quer pelas reduções das contribuições dos trabalhadores e dos impostos pagos pela TAP, vincou o STTAMP.O plano de reestruturação da TAP, elaborado pela consultora Boston Consulting Group (BCG), no âmbito do apoio estatal de até 1.200 milhões de euros, tem de ser entregue à Comissão Europeia até 10 de dezembro.