Sindicato dos Professores da Região Açores reafirma falta de profissionais
Hoje 16:46
— Lusa/AO Online
Segundo o presidente do SPRA, António Lucas, o problema começou pelas ilhas mais pequenas e “agora começa a ser transversal” a todo o arquipélago.“Temos dois problemas em paralelo: temos falta de professores e temos um problema de distribuição, porque se há professores em São Miguel e na Terceira que não concorrem às outras ilhas e preferem ficar para as substituições, porque não têm que mudar de casa, […] uma melhor distribuição era a forma mais imediata de colmatar este problema”, disse.Relativamente à falta de docentes, António Lucas defendeu que o problema seria resolvido “com medidas transversais e nacionais”.“Ou seja, passar mais uma vez pela valorização da profissão, de forma a que seja aliciante para os jovens virem para a profissão docente. Mas, cá está, essa parte do problema não se resolve, já. Agora, podíamos colmatar algumas das falhas, com uma melhor distribuição”, defendeu António Lucas.E prosseguiu: “A única forma de termos uma melhor distribuição, é criarmos condições para que alguém que viva em São Miguel ou na Terceira possa vender a sua casa e ter uma casa em condições mais vantajosas na Graciosa ou nas Flores”.O dirigente, que falava numa conferência de imprensa, em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, no final de uma reunião da direção do sindicato onde foi analisada a situação atual do Sistema Educativo Regional, lembrou que um dos aspetos dos incentivos que o SPRA defende passa pela aplicação de juros bonificados na aquisição de casa pelos professores.“Não estamos a inventar nada, isto já está previsto na lei, falta o Governo definir a quem é que se aplica. Nós defendemos que a aplicação deve ser por unidade orgânica ou por ilha”, disse.António Lucas alertou ainda para o problema das substituições de professores por doença, porque o atual quadro regional é envelhecido.“Temos mais gente a adoecer e voltamos àquela questão dos professores profissionalizados [que] só concorrem para a sua ilha. Muitas vezes, como esses casos estão centralizados, sobretudo em São Miguel e na Terceira, o que acontece é que nas ilhas periféricas, e até já em São Miguel e na Terceira, [as escolas] têm que começar a recorrer a pessoas sem habilitação legal, o que diminui claramente a qualidade de ensino”, disse.O SPRA anunciou também que irá convocar plenários sindicais em todas as ilhas, durante o mês de fevereiro.Uma das questões que será analisada é o diploma publicado no início do ano sobre concursos do pessoal docente, que introduziu profundas alterações no regulamento, “não contribuindo para a resolução dos problemas estruturais do sistema educativo” na região.Deverão também ser discutidas as propostas do Ministério da Educação, Ciência e Investigação de alteração do Estatuto da Carreira Docente e respetivo processo negocial com as estruturas sindicais.“Estamos perante uma significativa desvalorização do Estatuto que, se se viesse a concretizar, acabaria com a profissão como a entendemos”, alertou a estrutura sindical.O sindicato também vai integrar a caravana nacional “Somos Professores e Educadores, Damos Rosto ao Futuro!”, promovida pela Federação Nacional de Professores (FENPROF), para alertar para a necessidade da valorização da profissão docente e para a melhoria das condições de trabalho.