Sindicato dos Professores da Região Açores propõe medidas para ultrapassar falta de docentes
19 de set. de 2025, 17:30
— Lusa/AO Online
“Achamos que a
Universidade dos Açores tem aqui um papel determinante. A Universidade
dos Açores já foi o principal centro de formação de professores aqui na
região e, hoje em dia, não cumpre minimamente esse papel”, afirmou o
presidente do SPRA, António Lucas.O
dirigente, que falava numa conferência de imprensa, em Ponta Delgada, sobre as condições de abertura do ano letivo
2025/2026 nos Açores, referiu que no arquipélago estão licenciados que
“necessitam de profissionalização, mas que não têm hipótese de se
deslocar”.“Muitas destas pessoas já têm
família constituída, têm a sua ilha de residência e não podem vir ter
aulas a São Miguel. E nós achamos que uma das formas de resolver este
problema seria com uma plataforma ‘online’ que, aliás, não é nenhuma
novidade, a Universidade Aberta funciona assim, de forma a poder também
garantir que estas pessoas concluíssem o seu processo formativo”,
acrescentou.António Lucas sugeriu ainda a
possibilidade de que, a nível nacional, as universidades “pudessem
aumentar o número de alunos no âmbito da formação da docência”.Na
análise do início de mais uma no letivo na região, a direção do SPRA
mostrou-se preocupada com a “persistência dos problemas detetados nos
últimos anos”, relacionados com falta de professores, de assistentes
técnicos e operacionais, com a educação inclusiva, infraestruturas e
manuais digitais escolares.Em relação aos
recursos humanos, António Lucas salientou que as carências de docentes
são mais evidentes nas ilhas periféricas dos Açores, havendo necessidade
de recurso à contratação através da Bolsa de Emprego Público dos Açores
(BEPA).Desde o dia 01 de setembro até hoje, em toda a região, “estiveram e estão a concurso 156 horários”, adiantou.Na
vertente da educação inclusiva, admitiu que se mantém a falta de
docentes e de técnicos especializados e “as omissões legais relativas ao
número máximo de alunos por turma”.Já no
tocante aos manuais escolares digitais, segundo o presidente do SPRA, o
ano letivo 2025/2026 iniciou-se com “muita perturbação”.“Centenas
de alunos e docentes não têm ainda acesso aos manuais digitais da Porto
Editora, devido à anulação do concurso pelo Tribunal de Contas”,
indicou.Para o sindicato, uma medida tão
“propagandeada” pela Secretaria Regional da Educação dos Açores
tornou-se um constrangimento, pois nas escolas que optaram pelos manuais
da Porto Editora, os alunos e os docentes, “neste momento, nem têm
manuais digitais, nem têm manuais em papel”.“Portanto,
aquilo que foi quase uma bandeira política está, neste momento, [a ser]
uma bandeira um bocado esfarrapada e haveria alguma celeridade em
resolver este problema”, afirmou António Lucas.O
dirigente referiu, ainda, que o sindicato mantém a mesma opinião sobre
os manuais digitais que veiculou quando surgiram: “É que a digitalização
do ensino, só por si, não tem sentido. Os materiais em formato digital
podem ser importantes como um instrumento pedagógico, mas não podem ser o
único instrumento pedagógico”.