Sindicato dos Procuradores avança com providência cautelar a contestar movimento de magistrados
11 de jul. de 2025, 10:28
— Lusa/AO Online
O SMMP
adianta, em comunicado, que vai avançar com a providência cautelar na
próxima semana, “face ao indeferimento da reclamação apresentada junto
do Conselho Superior do Ministério Público (CSMP) e da aprovação das
regras do movimento ordinário de Magistrados do Ministério Público (MP)
que prevê lugares a ocupar pelos procuradores, a partir de setembro, em
vários departamentos e tribunais em simultâneo. O
presidente do SMMP, Paulo Lona lamentou, citado no comunicado, “a
postura intransigente do CSMP e do Procurador-Geral da República (PGR)
face à onda de contestação expressa pela esmagadora maioria dos
magistrados do MP, traduzida numa carta aberta subscrita por 75% dos
procuradores e pela forte adesão à greve nacional que hoje termina e que
prosseguirá, a nível regional, até às férias judiciais. Depois
da greve nacional que terminou hoje, o SMMP mantém o protesto com
greves regionais, na sexta-feira na Procuradoria Regional de Lisboa, na
segunda-feira Procuradoria Regional do Porto e nas procuradorias
regionais de Évora e de Coimbra na terça-feira.O
sindicato destaca que neste segundo dia de greve a adesão média
manteve-se nos 90%, com diversos julgamentos e diligências adiados,
tendo existido, de Norte a Sul do país vários juízos e núcleos dos
tribunais que registaram 100% de adesão.Nos arquipélagos da Madeira e dos Açores a adesão rondou os 85%.O
SMMP denuncia, contudo, “várias ocorrências de violação ao direito à
greve que consistiram, designadamente, na substituição de magistrados
grevistas por não grevistas, em diligências não abrangidas nos serviços
mínimos e que nem sequer eram urgentes”.Denuncia
ainda que houve magistrados em greve designados para prestar os
serviços mínimos que, em diversas comarcas, foram convocados para
prestar os mesmos quando, simultaneamente, havia colegas que não tinham
aderido à greve.Na sequência destas situações detetadas, o sindicato afirma que “irá encetar diligências e agirá em conformidade”.A
motivar estas ações de luta está o aviso de abertura do movimento de
magistrados do Ministério Público, publicado a 04 de junho em Diário da
República, que inclui lugares a ocupar pelos procuradores, a partir de
setembro, em vários departamentos e tribunais em simultâneo.A
Procuradoria-Geral da República tem justificado a opção com a
necessidade de "otimizar os recursos existentes", num "contexto de
reconhecida e notória carência de recursos humanos".Segundo Paulo Lona, faltam 100 a 120 magistrados nos quadros de pessoal, o que sobrecarrega quem está ao serviço.Quase
todos os magistrados que responderam a um inquérito online afirmaram
que têm de trabalhar aos fins de semana e à noite para despachar
serviço.