Sindicato dos Médicos pede respeito após despacho a exigir celeridade
Covid-19
6 de ago. de 2020, 11:59
— Lusa/AO Online
"Tenham
o mínimo de respeito por quem trabalha todos os dias na linha da frente
do combate à covid-19 e dá muito mais do que aquilo a que está obrigado
no seu trabalho", lê-se na nota publicada no sítio oficial do SIM.O
despacho, publicado em Diário da República na terça-feira, indica que
os "intervenientes na gestão de casos de doença covid-19 e dos seus
contactos, que participam na vigilância epidemiológica e no apoio à sua
realização encontram-se vinculados a um especial dever de colaboração e
de celeridade na sua atuação, no quadro das suas competências" em 19
freguesias de cinco concelhos da AML: Amadora, Lisboa, Loures, Odivelas e
Sintra. O Governo conta, entre esses
intervenientes, as autoridades de saúde pública, as unidades de cuidados
nas comunidades, as forças de segurança, os departamentos municipais de
proteção civil e os serviços municipais de ação social, bem como o
centro distrital de Lisboa do Instituto da Segurança Social. O
sindicato criticou o despacho emitido num momento em que "não há
recursos humanos suficientes nas unidades de saúde" e em que "os médicos
e restantes profissionais das unidades de saúde pública" estão
"exaustos", com "uma sobrecarga de trabalho sobre-humana, sem dias de
descanso durante semanas".O SIM vincou
ainda que não é "humanamente possível responder em tempo útil às dezenas
ou centenas de solicitações", devido à "inação" e à "incapacidade de
planeamento do Governo", e exigiu mais recursos para se poder dar a
"resposta célere" imposta pelo despacho, emitido pelos ministros da
Administração Interna e das Ministras da Modernização do Estado e da
Administração Pública, do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social e
da Saúde."O sentido de dever dos
profissionais de saúde existe muito antes de qualquer despacho de vossas
excelências. Assumam também, vossas excelências, o dever de
disponibilizar os recursos humanos e materiais adequados à resposta
célere que tanto agora desejam", lê-se na conclusão da nota.As
19 freguesias da AML mencionadas no despacho passaram, no sábado, da
situação de calamidade para a situação de contingência, no âmbito da
pandemia.