Sindicato dos Médicos do Sul reconhece que mentiu induzido em erro sobre escalas nos Açores
2 de dez. de 2022, 16:17
— Lusa/AO Online
“O
senhor presidente do Governo dos Açores quando me deu essa informação, a
forma como a deu, pareceu-me que sim, que estaria seguro que tudo
estaria assegurado, que a segurança dos utentes estaria assegurada, que
as escalas estavam garantidas e que haveria um normal funcionamento do
HDES. Quando fomos realmente verificar, isso não acontece”, disse à Lusa
Anabela Lopes.Na quarta-feira, após uma
reunião do presidente do Governo açoriano, José Manuel Bolieiro, com os
sindicatos, Anabela Lopes disse que as urgências hospitalares nos
Açores, que estavam na iminência de não terem escalas completas, por
indisponibilidade dos médicos, estavam asseguradas.Esta sexta-feira,
Anabela Lopes salientou que ficou em causa a sua palavra e do
presidente do Governo dos Açores: “nós acabámos por mentir, pelo menos
eu, com base numa afirmação que me fizeram e que veio a verificar-se que
não era verdade”.Na quinta-feira, a
responsável nos Açores da Ordem dos Médicos, Margarida Moura, denunciou a
falta de condições de assistência aos doentes no Hospital de Ponta
Delgada, nomeadamente na cirurgia geral, cuja diretora de serviço
apresentou a demissão.Na altura, Margarida
Moura referiu que “há escalas em diferentes serviços que não estão de
acordo com as orientações da Ordem dos Médicos e que põem em perigo a
qualidade e segurança da assistência aos doentes”, nomeadamente no caso
da cirurgia geral, em que “é obrigatório estarem escalados pelo menos
dois cirurgiões, por dia, e por turno, e só está um”, que “não opera
sozinho, por razões de segurança”.Já hoje,
Emanuel Dias, porta-voz de 21 diretores de serviços que, entretanto, se
demitiram, afirmou que “aquilo que o presidente do Governo dos Açores
disse foi falso”, considerando que “foi enganado pelo conselho de
administração, porque as escalas não estão completas”.Segundo
Emanuel Dias, porta-voz dos diretores de serviços clínicos
demissionários, a escala de serviço do Hospital do Divino Espírito Santo
(HDES) “não está preenchida e quem está a preenche-la é o atual
conselho de administração, que não o tem conseguido”.