Sindicato dos Jogadores denuncia falta de pagamentos das verbas do Fundo FIFA
25 de out. de 2024, 17:24
— Lusa/AO Online
Em comunicado, o
sindicato presidido por Joaquim Evangelista informa que o organismo que
tutela o futebol mundial ainda não pagou a totalidade dos montantes
aprovados para os jogadores que recorreram ao FIFA Fund (Fundo FIFA na
tradução em português), referente ao quarto período de candidaturas a
este mecanismo, aprovadas em setembro de 2023. “Muitos
dos jogadores afetados estão desempregados ou retirados e os montantes
são considerados essenciais. A situação já levou a que o Sindicato dos
Jogadores acionasse o seu Fundo de Solidariedade para apoiar
financeiramente alguns dos futebolistas afetados”, lê-se na nota. Em
Portugal, o Sindicato dos Jogadores apresentou candidaturas em
representação de 35 futebolistas, no valor global de aproximadamente
234.600 euros, que, após aprovação, ainda não foram pagas. “A
situação é muito má, porque temos entre os jogadores retirados e no
ativo alguns que enfrentaram, recentemente, períodos de desemprego e
este montante é absolutamente essencial para a sua estabilidade
financeira”, alertou Evangelista, citado no comunicado.O
presidente do Sindicato dos Jogadores disse não compreender porque é
que após três rondas de pedidos e pagamentos efetuados “num período
razoável”, para este quarto e último período “a FIFA esteja a atrasar as
transferências bancárias, sem qualquer razão para que isso aconteça”. “Só
podemos desconfiar de pressão política, face às ações intentadas pela
FIFPro na Comissão Europeia e à recente vitória no “caso Diarra”. É
inaceitável que se tratem assim os jogadores e que os mais vulneráveis
sirvam como arma de arremesso político”, criticou.O
dirigente aludia à decisão do Tribunal de Justiça da União Europeia
(TJUE), que considerou que algumas regras da FIFA sobre a transferência
de futebolistas são contrárias ao direito europeu, porque dificultam a
livre circulação e restringem a concorrência entre clubes.Proferidaa 04 de outubro, a decisão do TJUE, sedeado no Luxemburgo, surge na
sequência de um pedido da justiça belga, sobre o caso do antigo
internacional francês Lassana Diarra que contestou, há 10 anos, as
condições da sua saída do Lokomotiv Moscovo. “Temos
recebido chamadas diárias dos nossos jogadores, que manifestam toda a
sua frustração. É uma sensação de impotência e de que lhes criámos
falsas expectativas, quando simplesmente confiámos no regulamento
aprovado e publicado pela FIFA e nos procedimentos que estavam em vigor.
Apelo, por isso, ao presidente da FIFA, Gianni Infantino, para que
desbloqueie de imediato as verbas em falta”, insta Evangelista.O
Fundo FIFA foi criado em 2020 por acordo entre o sindicato
internacional de jogadores (FIFPro) e o organismo que tutela o futebol
mundial, para compensar os jogadores que ficaram sem poder receber os
seus salários devido à insolvência ou encerramento da atividade
desportiva dos respetivos clubes.