Sindicato dos guardas alerta para presença de gangues de tráfico nas prisões
Hoje 15:24
— Lusa/AO Online
Numa
audição na subcomissão para a Reinserção Social e Assuntos Prisionais, o
presidente do sindicato, Júlio Rebelo, que frisou o envelhecimento da
classe profissional, cuja idade média ronda atualmente os 50 anos, e os
constrangimentos operacionais que a situação levanta, apontou
especificamente às dificuldades em lidar com “uma nova tipologia de
reclusos” nas prisões.“Quando entrei para
os serviços, há 30 anos, os reclusos eram sobretudo toxicodependentes.
Agora são membros de ‘gangues’”, disse o responsável, especificando
aqueles que integram o Primeiro Comando da Capital (PCC), grupo
organizado de tráfico de droga originário do Brasil, mas com uma
presença cada vez mais visível na Europa, nomeadamente Portugal.Júlio
Rebelo sublinhou que os elementos do PCC detidos em Portugal,
maioritariamente relacionados com a logística das operações de tráfico,
“trabalham de dentro para fora das prisões”, representando um risco e
ameaça de segurança para os guardas prisionais no exterior dos
estabelecimentos, algo que o presidente do SICGP entende que deveria
levar a repensar questões de segurança no sistema prisional.“Quando
começarmos a ter elementos operacionais [do PCC] nas prisões, vamos ter
graves problemas de segurança nos estabelecimentos”, disse aos
deputados.Ainda sobre questões de
segurança, referiu que os inibidores de sinal de comunicações continuam
por implementar e que a entrada de telemóveis, e não só, nas prisões
através de drones e outras formas continua a acontecer, mas referiu que o
novo sistema de raio-x implementado permitiu “reduzir
significativamente” a entrada dissimulada em televisões, por exemplo.Sobre
a prisão de Vale de Judeus, onde em 2024 cinco reclusos fugiram do
estabelecimento de alta segurança por falhas na vigilância, o dirigente
sindical disse que o reforço da segurança foi pontual, “nada que fizesse
diferença”, e lamentou que as torres de vigia continuem por construir,
indicando que duas podem ser insuficientes e que o ideal seria construir
quatro, respeitando os procedimentos de segurança.Quanto
a equipamentos de segurança, incluindo pessoal, Júlio Rebelo indicou
que parte dos coletes à prova de bala tem a validade caducada e que há
rádios da rede SIRESP que deviam ser substituídos por já não
funcionarem. A própria rede SIRESP não funciona em alguns estabelecimentos prisionais, indicou.No
sistema prisional faltam 1.400 guardas, segundo os dados que apresentou
aos deputados, sublinhando que a videovigilância, “não substitui de
forma nenhuma” o corpo da guarda, até porque o que os reclusos temem não
são as câmaras de vigilância, mas a presença de guardas armados.Júlio
Rebelo manifestou-se ainda contra a redução da idade de entrada na
carreira para os 18 anos, posição que disse ter transmitido à ministra
da Justiça, questionando a maturidade de um jovem com essa idade para
lidar com reclusos num estabelecimento prisional.Ao
invés de um “processe de simplificação” de entrada na carreira, Júlio
Rebelo defende “uma exigência cada vez maior”, com “testes mais
rigorosos”.