Sindicato dos Enfermeiros Portugueses considera protocolo negocial insuficiente
30 de jul. de 2025, 16:10
— Lusa/AO Online
“Nós
não assinámos hoje já o protocolo, porque a sua redação está
insuficiente (…). Portanto, ficou perspetivada uma nova reunião para 3
de setembro”, disse aos jornalistas o presidente do SEP, José Carlos
Martins.Falando à imprensa após ter-se
reunido, durante cerca de duas horas, com a ministra da Saúde, Ana Paula
Martins, no Ministério da Saúde, em Lisboa, o dirigente sindical
afirmou que a tutela “há de apresentar uma proposta que visa regular” o
Acordo Coletivo de Trabalho (ACT).“Nós
entendemos que valia a pena que esta matéria fosse discutida apenas após
a alteração do Código de Trabalho, porque um ACT estará condicionado ao
Código de Trabalho, que está a ser alterado”, salientou. De
acordo com José Carlos Martins, o ministério da Saúde também esteve de
acordo em avançar com outras matérias, como a questão dos pontos, dos
retroativos, do pagamento dos retroativos desde 2018, da avaliação de
desempenho e dos concursos.“O Ministério
da Saúde aceitou - e estamos de acordo - discutir a alteração da
avaliação de desempenho dos concursos dos enfermeiros. (…) Vamos de novo
rediscutir a questão dos pontos e dos retroativos. Também se pretende
discutir a regulação dos horários de trabalho através de um ACT”,
observou. José Carlos Martins lamentou, no
entanto, que a tutela “assuma, num quadro brutal de carência e trabalho
extraordinário e de exaustão dos enfermeiros, contratar apenas 25 % a
50 % dos enfermeiros que as unidades locais de saúde [ULS] propuseram”.“A
ministra afirmou que (…) está condicionada economicamente e, portanto,
irá apenas autorizar a contratação entre 25 % e 50 % do volume que as
ULS e os IPO [institutos de oncologia] propuseram. E nós achamos isto
inadmissível e, portanto, iremos desenvolver o conjunto de ações para
exaltar, de facto, a grave carência com que os enfermeiros estão
confrontados”, sublinhou.Por sua vez,
Associação Sindical Portuguesa dos Enfermeiros (ASPE), que também foi
hoje recebida por Ana Paula Martins, anunciou ter assinado um acordo
negocial para criar o primeiro Acordo Coletivo de Trabalho para a
enfermagem no Serviço Nacional de Saúde (SNS).“Assinámos
o protocolo hoje, apesar de discordarmos da limitação do âmbito do
protocolo, mas existe um ponto dois que permite trabalhar outras
matérias, nomeadamente o ajuste do Sistema Integrado de Avaliação de
Desempenho na Função Pública (SIADAP) às carreiras de enfermagem.
Existem outros documentos, como procedimentos concursais e outros que
precisam de ser trabalhados”, referiu a presidente da ASPE, Lúcia Leite.Segundo a sindicalista, o Governo mostrou-se disponível para iniciar o diálogo, com a ASPE a esperar “uma negociação séria”.Além
de também ter agendado uma nova reunião para início de setembro, a
força sindical indicou que irá se reunir com a tutela no 24 do mesmo
mês.Horas antes, também a plataforma de cinco sindicatos de enfermeiros assinou o protocolo negocial.“Esta
reunião visou, essencialmente, assinar um protocolo negocial em que a
ordem de trabalho será a criação de um Acordo Coletivo de Trabalho para
os enfermeiros. É a única profissão no setor da Saúde que ainda não tem
um Acordo Coletivo de Trabalho e foi esse compromisso que assumimos com o
Ministério da Saúde”, disse o porta-voz do grupo e presidente do
Sindicato Independente dos Profissionais de Enfermagem (SIPEnf),
Fernando Parreira.