Sindicato dos Enfermeiros Portugueses admite protestos contra Governo dos Açores
17 de out. de 2019, 07:08
— Lusa/AO Online
“Há de haver contestações, há de haver
cartazes e faixas, vamos dar nota dessa injustiça ou ilegalidade - mais
do que injusto é ilegal na nossa interpretação – aos grupos
parlamentares. Vamos indo em crescendo e não está fora de hipótese, de
todo, não é uma coisa de imediato, neste processo de crescimento de
descontentamento, vir a fazer greve ou outras formas de luta”, adiantou
aos jornalistas o coordenador regional do SEP, Francisco Branco.O
sindicalista falava à margem de um plenário no centro de saúde de Angra
do Heroísmo, na ilha Terceira, que contou com a participação de 25
enfermeiros, depois de já ter estado também nas ilhas do Faial e de São
Miguel.Segundo Francisco Branco, os
enfermeiros estão “indignados” com a posição da tutela e “disponíveis
para começar uma contestação pública”, a partir do momento em que for
publicado um ofício escrito com indicações para a contabilização do
tempo de serviço congelado. Em setembro, o
sindicato reuniu-se com a secretária regional da Saúde, Teresa Machado
Luciano, mas não chegou a acordo sobre o período a ser contabilizado
para efeitos de progressão na carreira.O
SEP defende uma contabilização entre 2011 e 2017, mas a governante alega
que os enfermeiros tiveram uma valorização remuneratória em 2014 e,
portanto, só devem ser contabilizados os anos seguintes. Francisco
Branco acusa a secretária regional da Saúde, que tomou posse em julho
último, de “falar de uma coisa que não sabe” e de insistir numa
“teimosia que não tem suporte legal”.“A
senhora secretária ao vir dizer que em 2014 aconteceu uma valorização
remuneratória está a partir de um pressuposto completamente falso,
porque ela só aconteceu em 2014 porque o Governo [Regional] da altura
arrastou o processo, porque se o Governo tivesse efetivamente aplicado
as coisas no tempo certo tínhamos uma mudança em 2011”, salientou.De
acordo com o sindicalista, essa valorização decorreu da contabilização
dos anos congelados entre 2004 e 2008, por promessa do então presidente
do Governo Regional, Carlos César.Ao
contrário do que aconteceu no resto do país, os funcionários da
administração pública regional dos Açores do regime geral tiveram uma
nova grelha remuneratória em janeiro de 2009 e os enfermeiros em 2011.“Nessa
altura, a vice-presidência [do Governo Regional] entendeu que os
enfermeiros não podiam ter o tempo de 2004 a 2008, porque a lei do
Orçamento não permitia. Andámos num processo de confronto durante dois
anos. Em 2013, com o Governo [Regional] da altura chegou-se a acordo”,
salientou Francisco Branco. O sindicalista
disse acreditar ainda na possibilidade de Teresa Machado Luciano
“emendar a mão”, caso contrário, e se as formas de luta não surtirem
efeito, admitiu mesmo levar a situação a tribunal.