Sindicato dos Enfermeiros exige ao Governo a valorização da carreira
30 de jul. de 2020, 14:22
— Lusa/AO Online
“Viemos
exigir que sejam contabilizados os pontos para efeitos de progressão,
que sejam corrigidas injustiças decorrentes da carreira de enfermagem
que este Governo impôs e que sejam encontrados mecanismos de
compensação, designadamente da penosidade, desde logo através da
aposentação mais cedo. Não é admissível que os enfermeiros continuem a
exercer funções com qualidade aos 66 ou 67 anos”, afirmou o presidente
do SEP, José Carlos Martins.Através de uma
sátira, intitulada “Vícios privados, públicas virtudes”, cerca de duas
dezenas de enfermeiros protestaram com cartazes e balões contra o que
dizem ser a diferença de postura do executivo na hora de apoiar o setor
da banca e o apoio aos profissionais de enfermagem, num protesto que
decorreu ao som da música “Os Vampiros”, de Zeca Afonso, e sob o olhar
atento de meia dúzia de agentes da polícia junto ao ministério.O
líder do SEP, José Carlos Martins, foi o narrador desta ‘peça de
teatro’, na qual um enfermeiro com uma máscara do rosto do
primeiro-ministro, António Costa, ia depositando cheques num mealheiro
para parcerias público-privadas (PPP), banca e paraísos fiscais. Do
outro lado, uma enfermeira com a máscara da ministra da Saúde, Marta
Temido, ia largando moedas para os enfermeiros, que por várias vezes até
erraram o alvo e caíram na estrada.“Da
parte dos sucessivos governos, e também deste, não faltam milhares de
milhões de euros para parcerias público-privadas, para milhões em
impostos que fogem através de ‘offshores’ e milhares de milhões que vão
para a banca. E não há cêntimos ou o dinheiro necessário para a justa
solução [dos problemas] dos trabalhadores, neste caso, dos enfermeiros.
Por isso, viemos exaltar essa profunda contradição para um governo que
se diz de esquerda”, frisou.Após a rábula,
José Carlos Martins entregou uma moção com as principais
reivindicações, nomeadamente: contagem justa de pontos para progressão
na carreira; compensação por risco e penosidade através de condições
especiais para aposentação; pagamento da última tranche (25%) do
‘descongelamento’ da carreira aos enfermeiros que passaram para
categoria diferente; reconhecimento de uma carreira única; e, por fim,
admissão de mais enfermeiros. “Estas
reivindicações permanecem porque os governos não têm adotado as medidas
de solução exigidas. É inadmissível que o atual governo, num quadro em
que se perspetiva a agudização da situação pandémica [de covid-19] e num
quadro de valorização que utiliza na retórica, não encontre medidas de
solução. Não estamos a exigir aumentos salariais, queremos a justa
solução para os problemas dos enfermeiros”, sentenciou.