Sindicato dos Enfermeiros diz que Estatuto do SNS é "uma mão vazia"
2 de ago. de 2022, 10:59
— Lusa/AO Online
Em comunicado, o
presidente do Sindicato dos Enfermeiros (SE), Pedro Costa, lamenta que
se tenha perdido “a oportunidade de apontar caminhos concretos para
reformar” o SNS.“Para lá da ideia de criar
uma Direção Executiva, pouco mais se sabe sobre como vai ser valorizado
o capital humano do SNS, que condições vão ser criadas para valorizar,
por exemplo, a carreira de enfermagem”, frisa o responsável.Aprovado
pelo Governo em julho e promulgado na segunda-feira pelo Presidente da
República, o novo Estatuto do SNS, no entender do presidente do SE,
“mais parece um número mediático, para mostrar que se está a fazer
alguma coisa para mudar o caos que se vive no SNS”.“A
verdade é que é o próprio Presidente da República a apontar as falhas e
incongruências de um diploma que foi apresentado como estruturante”,
acrescenta Pedro Costa, recordando que a nota de promulgação refere que
“fica por regulamentar, até seis meses, quase tudo o que é essencial”.Adianta
que o Governo e a ministra da Saúde, em particular, “estão pressionados
para apresentar trabalho” e mostrar “que estão a apostar no Serviço
Nacional de Saúde”, mas sublinha que foi apresentada a ideia de uma
Direção Executiva que ainda não se percebeu bem que poderes vai ter e o
que vai, afinal, dirigir”.“Parecemos caminhar num reforço da centralização da tomada de decisões e não na autonomia das unidades de saúde”, destaca.O
responsável lembra que “as necessidades numa unidade de saúde da
Covilhã são completamente diferentes, em termos humanos e de meios, das
de uma unidade na Grande Lisboa ou no Alentejo” e insiste: “Não podemos
continuar a tomar decisões estanques em Lisboa, esperando que se
apliquem e produzam os mesmos efeitos em Ferreira do Alentejo, em Lagos
ou em Trancoso”.O dirigente do SE sublinha
a necessidade de “proceder a uma reforma profunda do SNS”, recordando
que as exigências e o desenvolvimento do País são hoje bem diferentes do
que eram em 1979.“Este tipo de reformas, profundas e pensadas para uma década ou mais, não pode ser decidido sem ouvir as pessoas”, adverte.O
SE diz esperar os alertas de Marcelo Rebelo de Sousa “sejam ouvidos
pela ministra da Saúde e que ainda seja possível adotar medidas
concretas para se concretizar uma reforma eficaz”.Na
segunda-feira, o Presidente da República promulgou o diploma do
Estatuto do SNS, considerando que "seria incompreensível" retardar a
promulgação, e instou o Governo a acelerar a regulamentação e clarificar
os pontos ambíguos, sob pena de se perder "uma oportunidade única"."A
intenção tem aspetos positivos", sublinhou, mas o diploma do Governo
"levanta dúvidas" em três aspetos "que importa ter em atenção": "O
tempo, a ideia da direção executiva e a conjugação entre a centralização
nessa Direção e as promessas de descentralização da saúde", refere a
nota publicada na página da Presidência da República.Com
base nestes três pontos, Marcelo Rebelo de Sousa advertiu o executivo
socialista para que "acelere a sua regulamentação, clarifique o que
ficou por clarificar, encontre um enquadramento e estatuto que dê futuro
à direção executiva e conjugue os seus poderes com o objetivo da
descentralização na saúde".O novo estatuto
atualiza a definição do SNS, a sua composição – os estabelecimentos que
o integram e os serviços que presta – os “direitos e os deveres” dos
beneficiários, assim coma a organização e funcionamento e demais
adequação dos recursos humanos e financeiros.