Sindicato do Ministério Público quer reunião urgente com o procurador-geral da República
Hoje 11:50
— Lusa/AO Online
“O
propósito desta reunião é obter um esclarecimento que os magistrados do
Ministério Público merecem e a instituição exige: com que regras
pretende o CSMP realizar o próximo movimento de 2026?”, questionou o
sindicato num comunicado enviado às redações. O
sindicato que representa os magistrados do Ministério Público disse
querer saber se o CSMP pretende sobrecarregar os magistrados com
trabalho adicional, considerando que essa é uma forma de acumulação de
serviço. O Conselho
Superior do Ministério Público (CSMP) rejeitou duas propostas: uma que
pretendia que os procuradores que trabalham nas áreas de família e
menores ou de trabalho não possam acumular outras áreas de trabalho e
outra que determinava que só procuradores com um volume de trabalho
abaixo do recomendado para cada magistrado pudesse acumular processos de
outras áreas.Ambas as propostas foram
rejeitadas, com votos contra do procurador-geral da República, Amadeu
Guerra, que considerou na quinta-feira que o problema do Ministério
Público “não são os aspetos dos conteúdos funcionais”, ou seja, as
regras do concurso de colocação, mas antes “a falta de meios no que diz
respeito a magistrados do Ministério Público”. Sobre
estas declarações, o SMMP avisou “que foi o próprio PGR quem
transformou a questão dos conteúdos funcionais num problema central, ao
pretender recorrer a esse mecanismo de gestão para sobrecarregar
magistrados com trabalho adicional, involuntário e gratuito”.Para
o sindicato, a utilização dos conteúdos funcionais alargados contribuiu
para agravar o problema e evidencia as assimetrias entre as
magistraturas. Como exemplo, o SMMP
indicou que “o magistrado judicial só acumula serviço de forma
voluntária e remunerada, enquanto o magistrado do Ministério Público é
compelido a fazê-lo sem qualquer compensação e independentemente do
volume de trabalho que já suporta”. O SMMP
anunciou, na segunda-feira, uma greve para 24 de abril, para contestar a
manutenção das regras no concurso anual de procuradores definidas em
2025, tendo o presidente do sindicato, Paulo Lona, afirmado que “está
nas mãos do PGR evitar esta greve”.