Sindicato do Ministério Público anuncia greve de procuradores para 24 de abril
Hoje 17:34
— Lusa/AO Online
Numa
altura em que está em preparação o movimento anual de 2026, o
presidente do sindicato, Paulo Lona, disse em conferência de
imprensa na sede do SMMP, que a greve é “um instrumento legítimo de
reação” e “uma resposta necessária, proporcional e inadiável”.Com
base na ronda nacional de plenários junto das comarcas para aferir as
dificuldades dos serviços, Paulo Lona disse que o sindicato constatou
uma sobrecarga de trabalho que as regras de acumulação de serviço
aprovadas no movimento de 2025 vieram agravar.Esse
movimento, o concurso de colocação de procuradores no país, determinou,
por exemplo, que passaria a ser possível acumular áreas como família e
menores, comércio ou trabalho, o que o SMMP classificou então como "o
último prego na especialização" do Ministério Público (MP).A decisão motivou uma greve nacional de procuradores, seguida de greves regionais, em julho de 2025.Para
a próxima quarta-feira está agendada uma reunião do Conselho Superior
do Ministério Público (CSMP), órgão presidido pelo Procurador-Geral da
República e ao qual compete aprovar os movimentos de procuradores e as
regras que lhes estão subjacentes.Paulo
Lona considerou que por esse motivo este "é o momento certo" para
reverter as regras que, disse, nas comarcas já se demonstrou serem
inaplicáveis na prática."Está nas mãos do Procurador-Geral da República evitar esta greve", disse Paulo Lona.O
dirigente sindical recordou que, em entrevista ao jornal Observador em
junho de 2026, ainda antes da efetivação do movimento anual do último
ano, o procurador-geral da República, Amadeu Guerra, admitia que a
acumulação de áreas de trabalho como Família e Menores e Trabalho “devia
ser reformulada”, e que isso apenas não acontecia já no movimento de
2025 porque implicaria anulá-lo.“Exige-se
coerência. Até ao momento, os conteúdos funcionais alargados mantêm-se
inalterados. Não foi aprovada ou debatida qualquer proposta no sentido
de os revogar ou mitigar, enquanto o movimento de 2026 se aproxima
rapidamente”, disse, referindo que compete a Amadeu Guerra, na qualidade
de presidente do CSMP, “tomar a iniciativa de rever os conteúdos
funcionais alargados ou de se pronunciar favoravelmente sobre uma
proposta que visa essa alteração”.Paulo
Lona defendeu que “não é admissível que se volte a impor à magistratura
do Ministério Público um modelo que fragiliza a especialização,
normaliza a sobrecarga de trabalho, desconsidera a realidade das
comarcas e agrava a assimetria entre as magistraturas”.Impor
à partida que a determinada vaga a que os procuradores concorrem
implique aceitar processos de várias áreas funcionais leva a que não
sejam pagos extraordinariamente pela acumulação de áreas funcionais.Embora
garanta que o cerne da questão para os procuradores não é salarial,
Paulo Lona sublinha que está a ser criada uma desigualdade entre
magistraturas, uma vez que os juízes não são obrigados a aceitar
condições semelhantes.Paulo Lona
reconheceu que, “na prática, houve poucas situações” em que o
alargamento de conteúdos funcionais atribuíveis a cada procurador tenha
sido aplicado, mas sublinhou que isso só não aconteceu porque a
sobrecarga de trabalho atual já não o permite.Ainda assim, o sindicato contesta que a acumulação se mantenha como possibilidade nos regulamentos.O
SMMP insiste que na base do problema da sobrecarga de trabalho está a
falta de procuradores, não desistindo da ideia de um curso de formação
de magistrados extraordinário, que o próprio CSMP já reconheceu como
necessário, tendo pedido ao Ministério da Justiça a abertura de um curso
extraordinário com 100 vagas.Os pré-avisos de greve já seguiram para o Ministério da Justiça e para a Procuradoria-Geral da República