Sindicato diz que privatização da Azores Airlines “não defende interesses” dos Açores
21 de dez. de 2022, 16:42
— Lusa/AO Online
“Quanto
à intenção declarada de privatizar a Azores Airlines, reiterámos que
não concordamos, e exigimos ao Governo Regional que, em qualquer
situação, o interesse regional, os postos de trabalho e os direitos dos
trabalhadores, têm de ser absolutamente assegurados”, defende o
sindicado em comunicado enviado às redações.O
Governo Regional revelou em novembro que o concurso público para a
privatização da Azores Airlines, a empresa do grupo SATA responsável
pelas deslocações para fora do arquipélago, arranca a 01 de janeiro de
2023, no âmbito do plano de reestruturação aprovado pela Comissão
Europeia.O SITAVA avança que esteve
reunido com os secretários regionais do Turismo, Mobilidade e
Infraestruturas e das Finanças, Planeamento e Administração Pública,
Berta Cabral e Duarte Freitas.Segundo o
sindicato, os membros do Governo dos Açores (PSD/CDS-PP/PPM) reiteraram
que a privatização daquela companhia do grupo SATA é uma “exigência” da
Comissão Europeia.“É entendimento do
SITAVA que o processo de privatização da Azores Airlines, que o Governo
pretende agora recuperar, não assenta em qualquer racional económico, e
não defende os interesses regionais nas suas várias dimensões, quer
económicas quer sociais”, lê-se na nota de imprensa.O
sindicato considera que a alienação vai sujeitar a empresa “apenas à
lógica do lucro, deixando para segundo plano os direitos dos
trabalhadores” e dos açorianos.O SITAVA
critica o conselho de administração do grupo SATA, presidido por Luís
Rodrigues, por defender a privatização da companhia.“Lamentamos
também que seja o próprio conselho de administração afinando pelo mesmo
diapasão, que venha agora chantagear com a sobrevivência da empresa
para defender a privatização, depois de terem sido os trabalhadores, com
a sua disponibilidade e sacrifício, a salvá-la”, afirma.O
sindicato lembra que, na “história recente” de Portugal, “nenhum
processo de privatização resultou em vantagens para o país e para os
trabalhadores”.A 05 de dezembro, o SITAVA
manifestou preocupação com a “destruição dos postos de trabalho” da
Azores Airlines, companhia do grupo SATA que tem prevista para 2023 a
privatização da maioria do capital.A
Comissão Europeia aprovou em junho uma ajuda estatal portuguesa para
apoio à reestruturação da companhia aérea açoriana, de 453,25 milhões de
euros em empréstimos e garantias estatais.A
verba aprovada divide-se em empréstimos diretos de 144,5 milhões de
euros e assunção de dívida de 173,8 milhões de euros, num total de
318,25 milhões de euros a converter em capital próprio, e em garantias
estatais de 135 milhões de euros concedidas até 2028 para financiamento
facultado por bancos e outras instituições financeiras.As
dificuldades financeiras da SATA perduram desde pelo menos 2014, altura
em que a companhia aérea detida na totalidade pelo Governo Regional
começou a registar prejuízos, agravados pelos efeitos da pandemia de
covid-19.Em junho de 2020 foi anunciado
que o Governo dos Açores (então liderado pelo PS) iria abandonar a
segunda tentativa de privatização da Azores Airlines, depois de um
primeiro concurso ter sido anulado em novembro de 2018.