Sindicato diz que maioria dos médicos desconhece quando será vacinado
Covid-19
15 de nov. de 2021, 16:45
— Lusa/AO Online
Em
comunicado, o Sindicato Independente dos Médicos (SIM) “saúda a boa
nova” do reforço da vacinação, mas manifesta “a sua preocupação com o
aparente amadorismo e falta de planeamento que parece reinar”, tendo em
conta “o rápido inquérito” que efetuou junto de algumas instituições
hospitalares e agrupamentos de centros de saúde de norte a sul, que
indicou que “a maioria dos médicos desconhece quando, onde e como será
vacinado”.O
secretário-geral do SIM, Jorge Roque da Cunha, disse à Lusa que, “mais
uma vez, e apesar dos apelos do Sindicato Independente dos Médicos e da
Ordem dos Médicos, não foi cumprida a promessa” do Governo de que a
vacinação dos profissionais de saúde se iniciaria hoje.“Começaram
hoje, de facto, a serem convocados alguns, poucos, hospitais para o
processo vacinação no fim de semana, nomeadamente no São João, no Santo
António [no Porto], e mais um ou outro centro de saúde”, adiantou.Roque
da Cunha reiterou o apelo para que os profissionais de saúde sejam
vacinados rapidamente, alertando que, “estando infetados não podem
tratar doentes e podem infetar outros colegas”.“O
nosso apelo é, em primeiro lugar, que se vacinem os profissionais de
saúde e que se acelere o processo de vacinação da população contra a
covid-19, porque há disponibilidade das vacinas, e ao mesmo tempo que
haja melhor organização”, sublinhou.Alertou
ainda para os atrasos no processo de vacinação contra a gripe, dando
como exemplo o Hospital de São João, onde o processo está “muito
atrasado”.Para
o líder sindical, “não faz sentido nenhum que por falta de vacinas da
gripe se atrase o processo de vacinação da terceira dose da covid”.“A
esmagadora maioria dos profissionais de saúde do SNS não foi vacinado e
em relação ao setor privado também é importante que os profissionais de
saúde também sejam incluídos tal como foram no passado”, defendeu.Roque
da Cunha disse ainda esperar que “estes atrasos que se verificaram em
relação aos profissionais não impliquem o corrupio de governantes para
anunciar uma coisa que já devia ter ocorrido no passado”.Questionado
se tem conhecimento de médicos infetados com covid-19, afirmou que tem
indicação que sim e que há instituições de saúde onde estão a ocorrer
casos, apontando o surto de Covid-19 no serviço de medicina interna do
Hospital Santo André, em Leiria.“Mas
esses dados, são dados que o Ministério da Saúde tem e que,
naturalmente, seria de todo o interesse divulgar porque sabemos que
qualquer atraso neste processo, não só dos profissionais de saúde como
da população em geral, particularmente dos mais fragilizados, iremos
pagar muito caro nos meses que se aproximam”, sublinhou.
O secretário-geral do SIM salientou que a incidência da Covid-19 está a
aumentar de “uma forma sustentada, bem como os internamentos em
cuidados intensivos e nas enfermarias” e que “a situação só tem
tendência a agravar-se nos próximos meses”.