Sindicato diz que há trabalhadores subcontratados a receber abaixo do salário mínimo
26 de jul. de 2019, 08:46
— Lusa/AO Online
“Esses trabalhadores que prestam serviço aos
norte-americanos devem ser remunerados pelo serviço que prestam, não
como situações que acontecem, em que algumas dessas empresas de
‘outsourcing’ pagam abaixo do salário mínimo”, adiantou o dirigente
sindical, numa audição na Comissão de Política Geral da Assembleia
Legislativa da Região Autónoma dos Açores, que decorreu em Angra do
Heroísmo.O coordenador da União de
Sindicatos de Angra do Heroísmo, Vítor Silva, foi ouvido no âmbito da
discussão de um projeto de resolução apresentado pelo PCP, que propõe
que o parlamento açoriano recomende ao Governo da República “que dê
início às negociações do acordo laboral para a defesa dos postos de
trabalho e dos direitos dos trabalhadores da base das Lajes”.Em
2015 e 2016, mais de 400 trabalhadores portugueses da base das Lajes
assinaram rescisões por mútuo acordo, na sequência da redução do efetivo
norte-americano de 650 para 165 militares.Segundo
Vítor Silva, as Feusaçores (forças norte-americanas destacadas nas
Lajes) estão agora a recorrer a subcontratações, que já envolvem cerca
de “oito dezenas de trabalhadores”.“É uma
situação que nós tememos em relação ao futuro e nós tememos que a
própria vinda do presidente dos Estados Unidos da América a Portugal
venha potenciar e alargar cada vez mais esta situação de ‘outsourcing’”,
avançou, em declarações aos jornalistas, à saída da audição.O
dirigente sindical salientou que muitos desses trabalhadores têm
“contratos precários”, considerando “inaceitável” que não seja pago um
“justo valor do trabalho que é prestado”. “Temos situações de uma empresa que subcontrata outra, que volta a subcontratar e que volta a subcontratar”, frisou.Os
cerca de 400 trabalhadores das Feusaçores têm-se queixado de falta de
cumprimento de direitos consagrados na legislação laboral portuguesa
(como medicina do trabalho, licença de parentalidade, estatuto de
trabalhador estudante e dispensa para desempenho de funções em órgãos
políticos) e de dificuldades no acesso à justiça em situações de
conflito.O coordenador da União de
Sindicatos de Angra do Heroísmo defendeu uma revisão do acordo laboral
ou a aplicação do código de trabalho português, que considerou ser
atualmente mais vantajoso.Já o secretário
regional Adjunto da Presidência para os Assuntos Parlamentares, Berto
Messias, ouvido na mesma comissão, defendeu a necessidade de revisão do
Acordo de Cooperação e Defesa entre Portugal e os Estados Unidos da
América (EUA), onde se enquadra o acordo técnico e o acordo laboral,
considerando que seria um erro político e jurídico pedir apenas a
revisão do acordo laboral, como propõe o PCP.