Sindicato diz que há mais precariedade no ensino superior
17 de jan. de 2023, 17:12
— Lusa
“É imperativo
fazer um levantamento destas contratações precárias, para termos um
melhor conhecimento daquilo que se está a fazer”, defendeu a presidente
do sindicato, Mariana Gaio Alves.O SNESup
foi hoje ouvido pela comissão parlamentar de Educação e Ciência para
apresentar propostas para o ensino superior e, no início da audiência,
Mariana Gaio Alves apontou a precariedade como um dos principais
problemas.“A situação que se vive no setor
continua a agravar-se e a degradar-se, vai tornar-se insustentável a
muito curto prazo”, sublinhou a dirigente sindical, falando num
“crescimento exponencial da precariedade”.De
acordo com as estimativas do sindicato, com base em dados da
Direção-Geral do Ensino Superior, cerca de 42% dos docentes do ensino
superior tem contratos precários, uma percentagem que sobe para entre
75% e 80% entre os investigadores.“Quando
falamos desta percentagem elevadíssima de contratações precárias, não
estamos a falar de jovens que tenham terminado o doutoramento e estejam
agora a iniciar a vida profissional”, acrescentou, alertando que, além
das implicações negativas na vida dos profissionais, o próprio
funcionamento das instituições é afetado.“É
imperativo fazer esse levantamento, que permita alicerçar medidas
políticas com vista à integração na carreira destes professores e
investigadores, estabilizar estes trabalhadores precários e travar o
crescimento da precariedade.Por outro
lado, Mariana Gaio Alves defendeu também a valorização dos professores e
a transição mais rápida na carreira docente que, segundo explicou,
implica, atualmente que os docentes obtenham “excelente” na avaliação
durante seis anos.“É uma exigência
redobradíssima relativamente às carreiras da administração pública”,
sublinhou, afirmando que é por esse motivo que “é tão diminuto o número
de pessoas que conseguem progredir”. Segundo a presidente do SNESup, em
média, conseguem subir de escalão remuneratório entre 2% e 5% dos
professores do ensino superior.“Precisamos
de metas ambiciosas para o emprego dos docentes e investigadores”,
defendeu ainda Mariana Gaio Alves, que avisou que os sistemas de ensino
superior e ciência estão “em pré-rutura”, devido a fatores como o
subfinanciamento das instituições, o aumento da precariedade e o
envelhecimento da classe.José Moreira,
também representante do sindicato, acrescentou que a otimização
financeira das instituições de ensino superior “é praticamente
impossível neste momento”, uma situação que resulta na “degradação
permanente” das instituições.Por outro
lado, o da Universidade do Algarve comentou o protocolo negocial
apresentado, em outubro, pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino
Superior, que prevê a revisão dos estatutos das carreiras docente e de
investigação científica, bem como do regime jurídico das instituições.Apesar de elogiar “que haja vontade”, José Moreira disse que são necessários resultados concretos dessas negociações.