Sindicato diz que criação de juízos para imigração não resolve falhas estruturais da AIMA
Hoje 17:43
— Lusa/AO Online
O Governo
aprovou, em Conselho de Ministros, uma proposta de lei para que os
processos administrativos contra a Agência de Integração, Migrações e
Asilo (AIMA) sejam redistribuídos pelos tribunais de todo o país e
deixem de estar concentrados em Lisboa.Para
o STM, esta medida levanta três preocupações centrais e uma constatação
estrutural, uma vez que “a lentidão dos tribunais não decorre apenas da
justiça administrativa, mas sobretudo da incapacidade operacional da
AIMA, que produz decisões tardias, mal instruídas ou juridicamente
frágeis, gerando litigância desnecessária”.“Criar
tribunais especializados não corrige a origem do problema da falta de
meios, de organização interna e de carreira própria para os técnicos que
sustentam o sistema migratório”, sublinha a estrutura sindical.O
STM lembra que Bruxelas já emitiu um alerta sobre a “degradação da
justiça administrativa”, com processos a demorarem 861 dias e uma taxa
de resolução de apenas 48%.O sindicato
afirma ainda, numa nota, que a possibilidade de os cidadãos processarem a
AIMA no tribunal da sua área de residência pode aliviar Lisboa, “mas
não elimina o volume de processos resultante da desorganização interna
da agência”. O STM considera que “esta
medida é, na prática, uma resposta periférica”, pois só “mexe na forma
como os processos chegam aos tribunais, mas não na razão pela qual
chegam”.Criar juízos especializados em
imigração e proteção internacional pressupõe que a Administração Pública
seja, ela própria, também especializada, afirma o STM, considerando,
contudo, que “a AIMA continua sem carreira própria, sem formação inicial
estruturada, sem instrumentos de gestão e sem capacidade operacional
mínima”. O STM diz ainda que “a notícia
surge no mesmo momento em que a AIMA chamou ao gabinete jurídico todos
os seus juristas” e afirma temer que “esta concentração de recursos
deixe outros serviços ainda mais deficitários, agravando a
desorganização interna e revelando uma gestão reativa, sem estratégia e
sem prioridades claras”. “Estas medidas de
reação tardia mostram claramente a inexistência de um objetivo e de um
plano consistente para a agência, e dentro dela”, frisa a nota. O
STM reforça que “o Governo está a atuar sobre os efeitos do
congestionamento judicial e não sobre as causas: a AIMA que não temos”. Para
o STM, esta decisão governamental “confirma o que tem sido
repetidamente denunciado”, que “sem reforço de meios, carreira própria e
organização interna, qualquer reforma será cosmética”.