Sindicato diz que autoridades barraram acesso dos jornalistas em alguns locais
Incêndios/Madeira
20 de nov. de 2024, 18:20
— Lusa/AO Online
“Em
nosso entender, nestes últimos incêndios houve falta de transparência e,
em alguns casos, impedimentos à cobertura daquilo que estava a
acontecer no terreno. Ainda não conseguimos perceber o porquê”, disse
Filipe Alexandre Gonçalves.O dirigente,
que é jornalista da RTP/Madeira e cobriu o incêndio de grandes dimensões
que lavrou na região entre os dias 14 e 26 de agosto, sublinhou que
“quem andava a fazer cobertura dos incêndios, junto das zonas mais
afetadas, falava em duas realidades: a que era dita nas conferências de
imprensa e a que realmente estava a acontecer no terreno”.
O presidente da direção regional do Sindicato dos Jornalistas falava
na comissão de inquérito de apuramento de responsabilidades políticas no
combate ao fogo rural de agosto, numa audição que decorreu no hemiciclo
da Assembleia Legislativa da Madeira.“Em
nosso entender, no decorrer dos incêndios, alguns governantes olharam
para os jornalistas como um entrave e não como um elemento de extrema
importância para informar e esclarecer a população”, afirmou numa
declaração inicial, vincando que “esta mentalidade tem de ser alterada”.O
sindicalista disse que os casos mais relevantes ocorreram na freguesia
do Curral das Freiras, a partir do dia 17 de agosto, onde o acesso dos
jornalistas aos locais mais problemáticos foi barrado pela PSP,
simplesmente com indicação de que estava a “cumprir ordens”.“A
situação agudizou-se quando [a 21 de agosto] um órgão de comunicação
social regional – o Diário de Notícias da Madeira – avança com uma
notícia sobre a vinda dos [aviões] Canadair para auxiliar o combate aos
fogos. Pouco depois é desmentida por uma fonte do Governo Regional, mas
aquilo que era mentira poucas horas depois acabou por ser confirmado
pelo próprio presidente do Governo Regional”, disse, considerando esta
como uma prova clara da falta de transparência na comunicação. Filipe
Alexandre Gonçalves, que foi ouvido no parlamento a pedido do PS,
admitiu que possa ter havido “excesso de zelo” das autoridades, mas
sublinhou que houve também falhas na gestão da comunicação e tentativas
de controlar a informação. A 29 de
outubro, o secretário regional da Saúde e Proteção Civil, Pedro Ramos,
afirmou na mesma comissão de inquérito que não houve qualquer indicação
do Governo Regional (PSD) nem da Proteção Civil para impedir os
jornalistas de aceder aos locais onde o fogo lavrava, contradizendo a
denúncia feita já na altura pela direção da Madeira do Sindicato dos
Jornalistas.