Sindicato desafia PR a pronunciar-se sobre “degradação” da escola pública
23 de jan. de 2023, 12:17
— Lusa/AO Online
Em
declarações à agência Lusa, junto à Câmara Municipal de Vila Nova de
Gaia (distrito o Porto), onde esta manhã se concentraram dezenas de
professores e pessoal não docente numa manifestação em defesa da escola
pública, André Pestana acusou a tutela de estar a atacar o direito à
greve ao anunciar serviços mínimos para as escolas a partir de
fevereiro.“É fundamental que o Presidente
da República, que deve ser o principal defensor da nossa Constituição,
diga de uma vez por todas qual a sua posição clara sobre estes ataques
que têm degradado a escola pública e o atentado ao direito à greve”,
disse André Pestana.O líder do STOP falou
da mobilização que está prevista para sábado em Lisboa, uma “marcha pela
escola pública”, apontando que esta é uma “resposta” ao “ataque” do
Governo ao direito à greve.A marcha, que o
dirigente sindical acredita que juntará milhares de pessoas, desde
professores, pessoal não docente, a pais e alunos, terá início no
Ministério da Educação (na Avenida Infante Santo) e terminará na
Presidência da República.“O ministro [da
Educação], perante esta grande mobilização sem precedentes que está a
unir docentes e não docentes, em vez de tentar ceder em aspetos
essenciais para acalmar esta luta, em vez de fazer um aumento mínimo
salarial – 120 euros foi a nossa proposta – está a fazer um ataque ao
direito à greve com serviços mínimos a partir de 01 de fevereiro”, disse
André Pestana.Argumentando que “este
Governo conseguiu atacar e destruir a greve dos enfermeiros, estivadores
e motoristas de matérias perigosas” porque, disse, “esses setores
ficaram isolados na sociedade”, André Pestana apelou à adesão de toda a
comunidade educativa e desafiou Marcelo Rebelo de Sousa a tornar pública
a sua posição.“Ainda não tínhamos ido a
este poder. Tínhamos ido ao Parlamento e ao Terreiro do Paço e agora
vamos à Presidência da República porque é urgente que também o senhor
Presidente mostre a sua posição”, referiu.“Esta luta está a incomodar, juntem-se e deem-nos força”, acrescentou.Junto
a docentes de várias escolas do distrito do Porto, que empunhavam
cartazes com frases como “Justiça! Respeito! Dignidade!”, “Escola a
lutar, também está a ensinar” ou “Basta! Professores exigem respeito”, o
líder sindical disse, ainda, compreender os desabafos de encarregados
de educação que estão cansados dos constrangimentos que as greves nas
escolas têm causado, mas insistiu: “Tem havido muitos pais e muitos
alunos a juntarem-se a nós porque percebem a nossa luta”.“Nós,
profissionais da educação, pessoal docente e não docente, também somos
pais e avós e os nossos filhos e netos também estão a perder aulas. O
que as pessoas têm de perceber é que as principais conquistas que se
conseguiram no direito laboral – o limite de horário, a licença
parental, etc. – foram com greves fortíssimas que tiveram de incomodar
momentaneamente”, descreveu.André Pestana
disse que “até o próprio Presidente da República já tem dado a ideia de
que o Governo tem de ceder mesmo em questões sensíveis como a questão do
tempo de serviço”, algo que “parecia que estava enterrado e que
Bruxelas diz que há flexibilidade” e frisou a importância da mobilização
para “fazer o ministro ceder”.“Esta luta
foi espoletada pelo STOP – infelizmente os outros sindicatos não
quiseram estar do nosso lado – mas isto não é do STOP nem do André
Pestana. É de todos e em defesa da escola pública. A sociedade não está
habituada a este tipo de sindicalismo. Já disse isso ao ministro. Quem
vai dizer se esta luta pára e quando não vai ser o André Pestana nem os
dirigentes. São os milhares de colegas, profissionais de educação, a
decidir democraticamente nas escolas”, concluiu.Os
professores prosseguem hoje as greves e protestos em curso, após os
sindicatos terem saído insatisfeitos das reuniões negociais com o
Ministério da Educação na semana passada.Embora
o ministro da Educação, João Costa, tenha feito na sexta-feira um
balanço positivo das negociações sobre a contratação e colocação de
docentes e apelado ao fim das greves em curso, os sindicatos não
desarmaram.À saída da reunião, o
secretário-geral da Federação Nacional de Professores (Fenprof), Mário
Nogueira, disse que irá apresentar esta semana um parecer sobre a
proposta negocial do Governo, mas garantiu que as greves que estão a
decorrer diariamente por distrito se irão manter.A
greve por distritos, convocada pela Fenprof e por outros sete
sindicatos, chega hoje a Castelo Branco, com concentrações agendadas
para a capital de distrito, Fundão, Sertã e Covilhã, onde marca presença
Mário Nogueira.O Sindicato de Todos os
Profissionais da Educação (STOP), que anunciou uma nova manifestação em
Lisboa em 28 de janeiro, disse sair insatisfeito da reunião negocial por
não haver “nenhuma cedência” e manteve a greve nas escolas iniciada em
dezembro do ano passado.Além das greves do
STOP e da Fenprof está também a decorrer uma greve parcial convocada
pelo Sindicato Independente de Professores e Educadores (SIPE).A greve convocada pelo STOP teve início em 09 de dezembro por tempo indeterminado.Os profissionais de educação estão em protesto, principalmente, pelo processo de seleção e recrutamento de professores.Hoje,
além da concentração em frente à Câmara Municipal de Gaia, está marcada
uma reunião com as comissões de greve do distrito do Porto, bem como
uma concentração e cordão humano na rotunda da Boavista, no Porto, num
programa que termina com um jantar de apoio à greve.