Sindicato denuncia "chantagens e pressões" para travar greve do comércio na ilha Terceira
6 de abr. de 2023, 11:39
— Lusa/AO Online
“Independentemente de todas as
ofertas que foram feitas, das chamadas individuais aos escritórios, de
todo o tipo de pressão, das propostas de aumento, que agora já puderam
ser feitas, os trabalhadores não voltaram atrás e fizeram mesmo greve”,
afirmou o coordenador do Sindicato dos Trabalhadores de Indústrias
Transformadoras, Alimentação, Bebidas e Similares, Comércio, Escritórios
e Serviços, Hotelaria e Turismo dos Açores (SITACEHT/Açores), Vítor
Silva, em conferência de imprensa, em Angra do Heroísmo.Os
trabalhadores do comércio na ilha Terceira iniciaram esta quinta-feira uma greve de
três dias, a primeira específica para o setor nos Açores, de acordo com o
sindicato, para reivindicar um contrato coletivo de trabalho “digno”.Ainda
sem números concretos, o dirigente sindical disse que os resultados nas
primeiras horas de greve “são extremamente encorajadores”, com alguns
constrangimentos nos super e hipermercados das duas maiores empresas da
ilha, mas é esperada uma maior adesão no sábado, dia para o qual está
marcada uma manifestação em Angra do Heroísmo.“A
informação que temos é que a maior parte das secções está a abrir com
chefes de loja, o que já é um sinal, por si só, extremamente importante e
mesmo em relação aos contratados tem havido alguma adesão”, adiantou.Segundo
Vítor Silva, a adesão à greve comprova a “determinação e coragem” dos
trabalhadores, que foram alvo de “chantagens, pressões e represálias”.“Temos
informações de que os trabalhadores contratados foram avisados que se
aderissem à greve não teriam o seu contrato renovado, temos relatos de
situações em que chefias de lojas chamaram os trabalhadores um por um
para irem ao escritório dizer se iam fazer greve ou não, temos
trabalhadores que estavam de férias e foram chamados a vir trabalhar,
temos trabalhadores que estavam de folga no sábado e viram a sua folga
trocada”, revelou.A greve, solicitada
pelos trabalhadores num abaixo-assinado com mais de 100 assinaturas,
avançou como protesto pela forma como decorreram as negociações do
contrato coletivo de trabalho com a Câmara de Comércio de Angra do
Heroísmo (CCAH), mas o sindicato admite a marcação de novas paralisações
se as próprias empresas não manifestarem abertura para melhorar as
condições de trabalho.“Esperamos que, da
outra parte, haja uma resposta positiva. Se tivermos de endurecer a
luta, no próximo mês de maio e no próximo mês de junho assim o vamos
fazer”, afirmou, acrescentando que os trabalhadores estão disponíveis
para fazer piquetes de greve à porta dos super e hipermercados.No
sábado, às 10h00, os trabalhadores do comércio
voltam a sair à rua, em Angra do Heroísmo, naquela que será a terceira
manifestação do setor desde outubro.Vão
juntar-se também os trabalhadores da cooperativa Praia Cultural, alvo de
um processo de reestruturação, que prevê a redução de 65 a 80 postos de
trabalho.Os trabalhadores do comércio
reivindicam “horários que permitam conciliar a vida profissional e
pessoal”, o “direito ao subsídio de alimentação e a diuturnidades” e a
não aplicação da adaptabilidade e do banco de horas, para evitar que
“estejam ao dispor das empresas 12, 14 ou 16 horas por dia”.O
setor está há mais de três anos sem contrato coletivo de trabalho e as
negociações entre o SITACEHT e a CCAH, que envolveram um processo de
conciliação, não tiveram resultados.A
associação empresarial assinou um contrato com outro sindicato, que
segundo o SITACEHT não tinha legitimidade ou representatividade para o
fazer.O sindicato já voltou a enviar uma
proposta de contrato coletivo, mas diz não ter recebido contraproposta,
acusando a CCAH de violar a Constituição.