Sindicato denuncia “assédio e ameaças” aos auxiliares do Hospital da Horta
Hoje 15:05
— Lusa/AO Online
“Os
trabalhadores continuam a ser alvo de pressões, assédio e ameaças,
tentando levá-los a desempenhar funções que não lhes competem”, explicou
João Decq Mota, dirigente sindical, em conferência de imprensa, na
cidade da Horta, adiantando que esta situação representa uma “profunda
injustiça” laboral.Em causa está a
transição de carreiras dos antigos assistentes operacionais para os
atuais técnicos auxiliares de saúde, ocorrida em 2023, mas que, segundo
sindicato, “nunca foi plenamente respeitada” pelo Hospital da Horta.Segundo
João Decq Mota, muitos trabalhadores que fizeram essa transição de
carreiras “continuam a ser obrigados a desempenhar funções de limpeza
hospitalar”, tarefas que “não fazem parte das suas competências
profissionais”.“Importa referir que esta
situação não acontece nos outros hospitais da região, onde foram criadas
brigadas de limpeza próprias, externas aos serviços hospitalares, para
assegurar essas tarefas”, disse o dirigente sindical, lamentando que, no
caso do Hospital da Horta (o mais pequeno da região), passados três
anos, a situação ainda se mantenha sem solução.João
Decq Mota lembrou que tanto os trabalhadores em causa, como o próprio
sindicato, já haviam alertado a Administração daquela unidade de saúde
para esta “injustiça laboral”, mas lamenta que as respostas tenham sido,
invariavelmente, as mesmas: “falta de verbas, falta de meios ou
ausência de solução imediata”.Segundo o
STFPSSRA, a Administração do Hospital da Horta chegou a abrir um
concurso para a contratação de uma brigada de limpeza, mas o serviço não
chegou a ser adjudicado porque as empresas concorrentes, alegadamente,
“não reuniam as condições necessárias”.“Os
trabalhadores deixaram de realizar tarefas de limpeza, que não fazem
parte das suas funções. Entretanto, o trabalho acumula-se, o ambiente
degrada-se e os trabalhadores encontram-se cansados, desmotivados e
profundamente indignados com a falta de solução para um problema que
deveria ter sido resolvido há muito tempo”, lamentou João Decq Mota.O
STFPSSRA chegou a convocar uma greve dos técnicos auxiliares de saúde
do Hospital da Horta para 16 de março (segunda-feira), com o objetivo de
denunciar publicamente esta situação e exigir uma “solução definitiva”
para o problema, mas a paralisação foi, entretanto, desconvocada, depois
de a Administração do Hospital da Horta ter garantido que uma nova
brigada de limpeza entraria ao serviço no próximo dia 30 de março.“Foi
decidido, por unanimidade, suspender a greve do dia 16 de março,
mantendo o pré-aviso e remarcando a mesma greve para o dia 06 de abril,
com concentração à porta do Hospital da Horta”, explicou João Decq Mota,
manifestando a esperança de que, até lá, “esta situação seja finalmente
resolvida, com respeito pelos profissionais, pela lei e pelo bom
funcionamento dos serviços de saúde”.