Sindicato denuncia "agravamento de falta de professores" em várias ilhas dos Açores
15 de set. de 2025, 12:42
— Lusa/AO Online
Numa
conferência de imprensa destinada a fazer o balanço do início do ano
letivo 2025/26, o presidente do SDPA alertou para as “dificuldades na
colocação de professores” e para os “horários que ficaram por ocupar” em
algumas escolas da região.“Ao agravamento
da falta de docentes em várias ilhas e grupos de recrutamento, acresce o
aumento das colocações administrativas, fruto das normas desajustadas
do atual regulamento de concursos”, afirmou António Fidalgo, falando na
sede daquele sindicato, em Ponta Delgada.O
sindicalista salientou que, no concurso de oferta de emprego para
contratação a termo resolutivo (de 26 de agosto), foram colocados 239
docentes, ficando 117 vagas por ocupar devido à falta de candidatos.“Ficaram
por ocupar 32% das 352 vagas disponibilizadas para este concurso.
Posteriormente, a 09 e 12 de setembro, foram colocados mais 12 docentes
em horário completo e 89 docentes em horários de substituição temporário
ou incompleto”, reforçou.António Fidalgo
alertou também para a situação das ilhas Terceira, Pico, Graciosa, Faial
e Flores onde o “número de candidatos disponíveis para substituição é
cada vez mais reduzido ou inexistente”.Questionado
sobre a posição do Governo dos Açores, que no arranque
no letivo destacou a colocação de 98% dos docentes, o presidente do
SDPA frisou que o “essencial é que no primeiro dia de aulas existam
professores para iniciar a atividade letiva”.“Olhando
à realidade concreta de forma mais fina, ilha a ilha e grupo a grupo,
constata-se que não é tanto assim. Temos algumas ilhas, como a Terceira,
onde logo na contratação houve horários que ficaram por ocupar porque
não houve candidatos”, reagiu.Para o
sindicato, é também “preocupante o número significativo de docentes” que
tem saído da região para o continente, sejam profissionais do quadro ou
em início de carreira.“Começámos a ter o
ano passado e este ano professores contratados que são dos Açores e que
optam por concorrer aos concursos do continente, uma vez que houve uma
melhoria no regulamento dos concursos de lá e eles têm conseguido entrar
diretamente em quadros escola”, detalhou.O
presidente do SDPA criticou também a proposta de revisão do Regulamento
de Concurso do Pessoal Docente que se encontra em apreciação
legislativa, considerando que o documento “não é um instrumento de
fixação e atração docente”, nem "promove a estabilidade".“O
SDPA continua a propor que se repense com urgência o sistema de
incentivos previstos, aplicando-os a todos os docentes que sejam
colocados de fora da sua ilha de residência”, insistiu.Na
ocasião, o sindicalista adiantou que o SDPA vai solicitar, após as
autárquicas, reuniões à tutela e aos partidos políticos devido à
proposta de revisão do regulamento do concurso.A 01 de setembro, a secretária da Educação adiantou que o ano letivo se
iniciou nos Açores com 98% dos 5.300 docentes das escolas do ensino
público colocados e realçou o “grande esforço” do executivo açoriano
para promover a estabilidade na classe.