Sindicato defende que Estado português deve pedir revisão do Acordo Laboral na Base das Lajes
Hoje 16:44
— Lusa/AO Online
“É nestas alturas em que
temos uma conjuntura favorável que devemos introduzir pontos que
salvaguardem a nossa parte. E se o Estado português não o fizer agora
está a perder uma grande oportunidade”, afirmou, em conferência de
imprensa, em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, o coordenador do
Sindicato das Indústrias Transformadoras, Alimentação, Comércio e
Escritórios, Hotelaria, Turismo e Transportes dos Açores (SITACEHTT),
Vítor Silva.Com o conflito dos Estados
Unidos e de Israel com o Irão, iniciado a 28 de fevereiro, a Base das
Lajes tem registado um aumento do movimento de aeronaves militares
norte-americanas.Segundo Vítor Silva, a
conjuntura atual veio comprovar que, “ao contrário do que se queria
fazer passar”, a Base das Lajes não perdeu importância geoestratégica.Portugal
deve, por isso, segundo o sindicalista, aproveitar o momento atual para
iniciar um processo de revisão do Acordo Laboral, que inclua, entre
outras matérias, a atualização das tabelas salariais, que têm níveis
abaixo do salário mínimo praticado nos Açores.“A
única contrapartida visível pela utilização da Base das Lajes é
efetivamente os postos de trabalho e as remunerações que resultam para
os trabalhadores. E, portanto, esta seria a altura para, além da revisão
da tabela salarial, assegurar um contingente mínimo de trabalhadores
portugueses, porque nada, nem ninguém, nos pode assegurar que daqui a um
ano ou dois não vai haver novamente um despedimento coletivo”, afirmou.Em
2015, a Força Aérea norte-americana reduziu o efetivo na Base das Lajes
de 650 para 165 militares, o que levou à redução do número de
trabalhadores portugueses de 900 para 450. Desde
2021 que o sindicato alerta para o facto de alguns níveis da tabela
salarial dos trabalhadores portugueses apresentarem valores abaixo do
salário mínimo nacional e do salário mínimo regional nos Açores, que tem
um acréscimo de 5%.Segundo Vítor Silva,
atualmente existem 11 funcionários com o vencimento base abaixo de 966
euros, mas o número pode aumentar com a subida do salário mínimo
nacional, em janeiro.“É vergonhoso que, em
território português, trabalhadores nacionais vejam os seus direitos
mais elementares, como o direito a uma remuneração justa e atempada pelo
seu trabalho, serem ignorados”, vincou.Foi
criado um suplemento para assegurar que nenhum trabalhador auferia um
valor abaixo do salário mínimo, mas há funcionários com 10 e 15 anos de
serviço que viram o valor das diuturnidades absorvido pelo salário
mínimo.“Aquilo que foi feito é extremamente injusto e discriminatório para alguns trabalhadores”, salientou o dirigente sindical.Para
o coordenador do SITACEHTT, bastaria definir que o valor mais baixo da
tabela não podia ser inferior ao salário mínimo regional para resolver o
problema.Vítor Silva sublinhou que a
remuneração dos trabalhadores portugueses na Base das Lajes é “cerca de
25% inferior” à praticada noutras bases utilizadas pelos Estados Unidos
na Europa.O dirigente sindical alertou
ainda para outras questões laborais que necessitam de ser corrigidas no
Acordo Laboral, que não é revisto desde 1995, como o acesso à justiça ou
o acesso a licenças de maternidade e a saúde e segurança do trabalho.“O
acordo é de 1995. Trinta anos depois não há nada a ser mudado, não há
nada a ser corrigido? Sabem quantas vezes a legislação portuguesa do
trabalho já foi corrigida desde esta altura para cá”, questionou.O
SITACEHTT reivindicou uma “atitude de maior firmeza e determinação” do
Estado português e uma “intervenção mais eficiente e mais célere do
próprio Governo Regional” na Comissão Bilateral entre Portugal e os
Estados Unidos.“Se os Estados Unidos
pretendem manter esta relação, continuando a usufruir das valências e
localização estratégica, é no mínimo imprescindível que tratem a força
laboral portuguesa com respeito, sendo fundamental, no imediato, uma
revisão laboral mais profunda”, reiterou.O
sindicato vai solicitar reuniões aos partidos com representação na
Assembleia da República para apelar a uma mudança de paradigma na gestão
das relações laborais na Base das Lajes.