Sindicato de professores nos Açores diz que escolas não têm dinheiro para despesas correntes
26 de out. de 2023, 06:40
— Lusa/AO Online
“Já
tive informação de alguns professores de que lhes foi pedido que
levassem papel higiénico de casa”, afirmou o presidente do SPRA, António
Lucas, numa conferência de imprensa em Angra do Heroísmo, na ilha
Terceira.O dirigente sindical disse que as
escolas não têm verbas para os consumíveis do dia a dia, incluindo
papel higiénico, canetas, lápis e fotocópias, e que o problema se
arrasta desde o início do ano letivo.“As
escolas estão sem dinheiro para as despesas correntes. Se era problema
em setembro, já vamos com outubro no fim e tanto quanto sabemos não foi
dado qualquer reforço aos orçamentos das escolas para fazerem face às
despesas do dia a dia”, reforçou.Quanto ao
plano de investimentos para 2024, que será votado em novembro na
Assembleia Legislativa dos Açores, António Lucas considerou que a verba
global prevista para a Educação é “insuficiente” e que “a aplicação do
plano tem desequilíbrios significativos”.Segundo
o sindicalista, num orçamento global de 43 milhões de euros para área
da Educação, estão previstos 705 mil euros para construções escolares e
13,7 milhões para escolas digitais.“O
dinheiro para investimento em obras é claramente insuficiente. Não
corresponde minimamente às necessidades de requalificação dos edifícios
já existentes”, apontou, alegando que o montante previsto dá apenas
“para fazer uma intervenção parcelar numa escola”.“Faz
sentido nós equiparmos uma escola com equipamentos digitais e depois
pinga na sala ou no local onde estão armazenados os equipamentos e eles
estragam-se? É começar a casa pelo telhado. Primeiro, tem de se garantir
as condições essenciais para o funcionamento de uma escola e, depois, é
que se vai para o digital”, acrescentou.António
Lucas acusou ainda a secretaria regional da secretaria da Educação de
“inércia” na resolução de problemas para os quais o sindicato já alertou
várias vezes.Com a recuperação de parte
dos três anos de tempo de serviço perdido nas transições entre
carreiras, os professores que iriam progredir em setembro de 2024
deverão fazê-lo em março, mas, segundo o sindicato, ainda “não foram
publicadas listas com o novo momento de progressão” e não foram dadas
instruções às escolas sobre como proceder à avaliação destes docentes.“Aquilo
que a gente exige objetivamente é que estes docentes não possam ser
prejudicados na sua progressão por falta de indicações concretas da
secretaria regional da Educação”, explicou.O
SPRA detetou ainda “algumas incongruências e omissões no diploma” de
concursos de pessoal docente, em abril de 2021, que ainda não foram
corrigidos.“Já não temos prazos normais de
negociação para que as alterações tenham eficácia para o concurso de
2024/2025”, alertou o dirigente sindical.António
Lucas apelou à adesão dos docentes à greve nacional da administração
pública na sexta-feira, alegando que estão em causa “aumentos salariais
que promovam o aumento real dos salários e travem o empobrecimento”, bem
como “a aposentação imediata de todos os trabalhadores que a requeiram
com 40 anos de serviço independentemente da idade”.