Sindicato de professores convoca greve por tempo indeterminado a partir de 09 de dezembro
23 de nov. de 2022, 16:19
— Lusa/AO Online
Em
comunicado, o sindicato, que representa cerca de 1.300 docentes, refere
que a “forma de luta inédita” resulta de uma sondagem realizada no blog
ArLindo, em que 1.720 pessoas apoiaram a realização de uma greve por
tempo indeterminado.“Por muita adesão que
esta greve tenha, nunca vai tirar tantas aulas a milhares de alunos como
tem acontecido com as políticas deste Ministério da Educação”, disse à
agência Lusa o coordenador nacional do STOP, André Pestana.Entre
as principais reivindicações, o STOP aponta “questões fundamentais do
passado não resolvidas”, defendendo, desde logo, a contabilização de
todo o tempo de serviço, o fim das vagas de acesso aos 5.º e 7.º
escalões e a possibilidade de aposentação sem penalização após 36 anos
de serviço.Criticam também as alterações
recentes ao regime de mobilidade por doença, as ultrapassagens na
progressão da carreira docente e reivindicam soluções para os
professores em monodocência e uma avaliação sem quotas.A
greve é igualmente uma resposta às propostas do Ministério da Educação
para a revisão do regime de recrutamento e mobilidade do pessoal
docente, que está atualmente a ser negociada entre a tutela e os
sindicatos do setor.Na segunda reunião
negocial, que decorreu a 08 de novembro, o ministro da Educação, João
Costa, propôs aos sindicatos a transformação dos atuais 10 quadros de
zona pedagógica em mapas docentes interconcelhios, com correspondência
geográfica às 23 comunidades intermunicipais.Outra
das propostas, que mereceu críticas de várias estruturas sindicais, é a
criação de conselhos locais de diretores, que decidiriam sobre a
alocação às escolas dos docentes integrados em cada mapa interconcelhio.A
greve convocada pelo STOP inicia-se no dia 09 de dezembro, já depois da
próxima reunião negocial com o Ministério da Educação sobre os
concursos e recrutamento, agendada para terça-feira, e que André Pestana
admite que possa ser decisiva para avançar para o protesto.“Como
sempre, nós queremos fazer parte da solução e não do problema”, afirmou
o dirigente sindical, reconhecendo a possibilidade de o STOP recuar “se
o ministro tiver uma atitude de bom senso e compromisso perante as
exigências, que são exigências da classe”.Desde
o início do ano letivo, os professores já estiveram em greve por duas
vezes: no dia 02 de novembro, numa paralisação convocada por sete
organizações sindicais, e no dia 18 de novembro, no âmbito da greve
nacional da função pública.