Sindicato de professores admite greve regional nos Açores
10 de nov. de 2017, 18:53
— LUSA/AO online
"O
SPRA está a ponderar a possibilidade de termos aqui um percurso de luta
a nível regional, porque o nosso interlocutor é o Governo Regional",
adiantou António Lucas, presidente do sindicato, numa conferência de
imprensa, em Angra do Heroísmo.Segundo
o sindicalista, os professores dos Açores vão juntar-se à greve
nacional agendada para a próxima quarta-feira para protestar pelo facto
de o Orçamento do Estado para 2018 não prever a contagem de sete anos de
carreira congelados, entre 2011 e 2017, mas admitem-se outras
manifestações de âmbito regional."O
sinal que nós temos até agora é que o Governo Regional quer ver se
passa pelos pingos da chuva. Está a remeter todas estas questões para a
República e para o Orçamento do Estado. Vão deixando escapar que o que
for feito a nível nacional será replicado cá", salientou.António
Lucas frisou que o Governo Regional tem autonomia para tomar uma
decisão diferente nos Açores, como já o fez em anos anteriores. "No
primeiro congelamento, que ocorreu entre agosto de 2005 e o fim de
2007, conseguimos a recuperação desse tempo, embora de forma faseada",
lembrou. No
passado dia 27 de outubro, o sindicato entregou na presidência do
Governo Regional uma petição com 2.400 assinaturas a reivindicar que o
tempo congelado seja contabilizado e pediu, no dia 30 de outubro, uma
reunião com o presidente do executivo açoriano, mas até à data não
obteve resposta. "Estamos
a ponderar seriamente a possibilidade de, no dia 15, fazermos uma
concentração de professores junto ao Palácio de Santana [presidência do
Governo Regional] e outra junto da secretaria regional da Educação e
Cultura", adiantou António Lucas.O
SPRA solicitou também reuniões com os partidos com representação no
Parlamento açoriano e admitiu uma concentração de professores junto ao
parlamento, aquando da discussão do Orçamento da região para 2018, que
ocorrerá entre os dias 28 e 30 de novembro. Se
não houver cedências ou a predisposição para a negociação, o sindicado
poderá mesmo avançar com a convocação de uma "greve regional", o que só
terá acontecido uma vez nos Açores."Até
estaríamos na perspetiva de fazer acordos para além da legislatura",
frisou o sindicalista, alegando que apresentará propostas de faseamento
da recuperação dos sete anos congelados.Para já o sindicato está a apelar aos professores para que façam greve a 15 de novembro e espera uma elevada adesão."Adquirindo
o conhecimento sobre o que está em causa, estamos convencidos de que
eles vão dar uma resposta de acordo com o que o Governo merece, que é
uma resposta contra este conjunto de malfeitorias que resultam deste
Orçamento do Estado para 2018", apontou o presidente do SPRA.Os
docentes dizem-se penalizados por não terem atualizações salariais
desde 2009 e por não conseguirem atingir os salários mais altos da
carreira, por via dos congelamentos e de normas transitórias das
carreiras."A
conjugação destes dois fatores leva a que a esmagadora maioria dos
professores não só não chegue ao topo da carreira, em tempo útil da sua
vida profissional, como não chegue ao último terço da carreira, que são
curiosamente os escalões de maior valorização salarial", alertou.Também
o Sindicato Democrático dos Professores dos Açores (SDPA) admitiu hoje
convocar greve, a partir de janeiro, na eventualidade de não ver
reconhecidas as reivindicações ao nível da carreira docente, que alegam
ter sido penalizada pelas últimas alterações ao estatuto.