Sindicato de médicos pede medidas para ultrapassar falhas nas urgências obstétricas
4 de jul. de 2025, 16:51
— Lusa/AO Online
O alerta do
Sindicato Independente dos Médicos (SIM) surge na sequência de um caso
noticiado na quinta-feira pela RTP de uma grávida de 31 semanas, em
situação de risco, que perdeu o bebé depois de ter sido encaminhada para
um hospital a mais de uma hora de distância da zona de residênciaNuma
nota enviada à agência Lusa, o SIM lamenta, "mais uma vez, as
fragilidades na região de Lisboa na área da Ginecologia e Obstetrícia,
particularmente no que respeita ao acesso rápido e seguro aos serviços
de urgência diferenciados, essenciais em situações de risco".Adianta
que tem vindo, “de forma construtiva e responsável”, a apresentar
propostas para minimizar o impacto destas falhas e garantir o aumento
efetivo das equipas médicas, nomeadamente “o reforço da capacidade de
planeamento e articulação entre instituições”, para evitar que “utentes
sejam sujeitos a percursos prolongados ou a tempos de espera
incompatíveis com a segurança clínica”.“Caso
a opção passe por urgências metropolitanas, as mesmas devem ter
incentivos financeiros majorados e condições de trabalho que permitam
fixar médicos nas equipas de urgência, assegurando a experiência e a
estabilidade necessárias”, defende também.Para
o sindicato, é preciso garantir equidade de pagamento aos médicos "da
casa" face aos valores muito superiores pagos a prestadores externos,
assim como a criação de mecanismos que permitam a mobilidade voluntária
de médicos para reforçar temporariamente serviços em rotura, com a
devida compensação e salvaguardando a segurança dos profissionais.“A
reformulação do atual regime de vagas carenciadas, propondo a transição
para um modelo baseado em serviços carenciados”, é outra proposta,
defendendo que, neste modelo, um serviço seria considerado carenciado
até atingir uma percentagem a definir das suas necessidades, sendo os
médicos que nele exercem devidamente valorizados.Segundo
o sindicato, esta abordagem permitiria criar “incentivos reais” à
fixação e à permanência de médicos em zonas e serviços com maior
carência, reconhecendo que as necessidades variam significativamente
entre especialidades, hospitais e regiões.“Para
situações excecionais, é necessário respostas excecionais, não
coercivas mas sim positivas e construtivas que assegurem não só o
presente mas também o futuro”, defende.Segundo
a RTP, a grávida, do Barreiro, terá ligado para a linha Saúde 24, sem
sucesso, e acabou por ligar para o 112, sendo acionados os bombeiros
locais.Acabou por ser transportada para
Cascais porque as urgências do Hospital S. Bernardo, em Setúbal, que
deveriam estar abertas, encerraram por sobrelotação, uma situação que já
foi negada pelo Ministério da Saúde (MS).“Não
corresponde à verdade, como tem sido noticiado, que tenha sido recusada
a assistência à grávida, por motivo de encerramento dos serviços de
urgências de obstetrícia da Península de Setúbal”, assegurou em
comunicado o MS, acrescentando que “a utente teve acompanhamento
diferenciado de um médico” da Viatura Médica de Emergência e Reanimação
no percurso entre o Barreiro e o Hospital de Cascais.Segundo
o Ministério, dado que era uma gravidez de 31 semanas, pré-termo, houve
necessidade de encaminhar a utente para um hospital com apoio perinatal
diferenciado (neonatologia).Este foi o segundo caso em poucos dias de uma grávida que perdeu o bebé depois de procurar uma resposta de urgência.