Sindicato de Enfermeiros acusa ministra Saúde de gerir SNS com navegação à vista
26 de ago. de 2025, 17:54
— Lusa/AO Online
“Esta
forma de gerir o Serviço Nacional de Saúde de navegação à vista tem
consequências tanto para os utentes, como para os profissionais e tem
que haver financiamento adequado do Serviço Nacional de Saúde de forma a
que se tenha meios, tanto humanos, como até materiais”, declarou Fátima
Monteiro, coordenadora da direção regional do Porto do Sindicato dos
Enfermeiros Portugueses (SEP).Em
declarações à Lusa à margem da conferência de imprensa que o Sindicato
dos Enfermeiros Portugueses realizou junto ao Hospital de Santo
António (Porto) para denunciar o aumento da falta de enfermeiros no SNS e
o elevado número de enfermeiros em ‘burnout’ (exaustão laboral), Fátima
Monteiro referiu a falta e planeamento a médio e a curto prazo do
Ministério da Saúde.“O que se nota neste
Ministério [da Saúde] é que não há planificação a médio e a curto prazo.
Devia ser no primeiro ou segundo mês do ano e estamos a caminho do fim
do ano e os Planos de Desenvolvimento Organizacionais (PDO) de 2025 não
estão autorizados”.“Os PDO é o chamado
mapa de pessoal em que as instituições face às necessidades de horas de
cuidados dizem ‘eu preciso de mais 20, 30, 40, o número que for
necessário de enfermeiros’, mas ao não estarem autorizados, as
instituições não têm possibilidade de contratualizar enfermeiros para o
seu quadro. Poderão contratualizar, mas com vínculo precário, mas não é
com vínculo precário que se fixam os enfermeiros”, explicou a
sindicalista.Fátima Monteiro alertou ainda que o “caminho não é mandar para o privado”.“Além
de ficar mais caro, um dia destes os privados também já não têm
capacidade de resposta. Ser financiador em vez de prestador não é o
caminho e continuamos a dizer que o reforço do Serviço Nacional de Saúde
passa por valorizar os profissionais, passa por investir no próprio
SNS” e passa pela agilização da contratação de enfermeiros com “boas
condições de trabalho”, defende a sindicalista.O
Sindicato dos Enfermeiros Portugueses alertou que os enfermeiros
dos hospitais do distrito do Porto trabalharam mais de 600 mil horas
extraordinárias no primeiro semestre deste ano e que há um “elevado
número em ‘burnout’”.Fátima Monteira referiu que a nível nacional devem faltar cerca de 20 mil enfermeiros.O
SEP defende também a criação e um sistema de avaliação do desempenho
justo e adequado à especificidade das intervenções e funções dos
enfermeiros, bem como a promoção da abertura de processos de
recrutamento para as categorias de enfermeiro, enfermeiro especialista e
enfermeiro gestor.A garantia de formação
contínua, segurança e saúde e maior proteção à saúde mental dos
enfermeiros, harmonização das condições remuneratórias entre todos os
enfermeiros e resolução das situações de injustiça e harmonização do
número anual de dias de férias são outras reivindicações do SEP.