Sindicato das chefias da Guarda Prisonal diz que dos 526 chefes apenas 231 estão no ativo
Hoje 17:27
— Lusa/AO Online
Numa
audição na subcomissão parlamentar para a Reinserção Social e Assuntos
Prisionais, por solicitação do Chega, Hermínio Barradas sublinhou a “já
conhecida” degradação das condições no sistema prisional português e o
envelhecimento dos quadros da guarda prisional, exemplificando com o
caso das chefias, em que a atual idade média é de 59 anos e a reforma
aos “60 anos e poucos meses”.Em resposta
às perguntas dos deputados dos vários partidos, o dirigente sindical
falou da degradação e antiguidade das infraestruturas prisionais, da
progressão nas carreiras (algumas das quais congeladas), da falta de
guardas, da pouca atratividade da profissão e da falta de condições para
os reclusos na maioria das cadeias, da falta de segurança em alguns
estabelecimentos prisionais, do envelhecimento e da degradação do parque
automóvel para transporte dos reclusos, das deficiências na
videovigilância e dos processos de transferência de chefias sem um
critério funcional.O presidente da ASCCGP
considerou que “há uma desvalorização social já conhecida” da profissão e
que ao longo de vários governos os problemas têm sido colmatados “com
paliativos consoante os fenómenos vão surgindo”.Hermínio
Barradas disse ainda que há cadeias com apenas um chefe e que em
algumas outras, entre as 18h00 de sexta-feira e as 08h00 de segunda, a
função de chefia é exercida por guardas.Outras
das questões abordadas foram a falta de pessoal e a fraca atratividade
da carreira, a exigência e o desgaste rápido da profissão, que não é
reconhecido, referindo que nos último concurso para 250 vagas houve
apenas 55 candidatos, dos quais cinco mulheres.O
sindicalista afirmou que do quadro orgânico de 5.277 guardas e chefes
para um universo de perto de 13 mil reclusos, atualmente estão no ativo
cerca de 3.800, faltando perto de 1.500, sendo que a média de idades dos
guardas ronda os 55 anos e existe grande dificuldade de recrutamento.Disse
ainda que no universo do corpo da guarda prisional há atualmente cerca
de 600 que estão ausentes por diversos motivos, sobretudo por doenças,
em muitos casos relacionadas com o desgaste da profissão, considerando
que se “trabalha no fio da navalha”, exemplificando com o caso da fuga
de cinco reclusos da prisão de Vale de Judeus, entretanto recapturados, o
que “pôs a nú as fragilidades do sistema”.O
dirigente sindical falou ainda da sobrelotação do sistema prisional,
como indica o mais recente relatório da Provedoria de Justiça, em alguns
casos de 160%, e das condições dadas aos reclusos, em cadeias
envelhecidas e com poucas condições higienossanitárias.Hermínio
Barradas disse que a condição de um recluso por quarto praticamente não
existe, sendo os presos colocados em celas partilhadas, muitas vezes
com o dobro da população, e balneários também partilhados com capacidade
para seis, mas que servem 12 pessoas.O
dirigente sindical afirmou também que o problema do sistema prisional é
antigo e é o resultado a que vários governos anteriores deixaram chegar,
apesar dos muitos alertas.O sindicalista
afirmou que tem havido uma valorização da carreira por parte do atual
Governo e que existe “uma boa relação institucional”, mas deixou no ar
críticas à gestão da Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais.