Sindicato da PSP insiste na necessidade de todos os polícias terem máscaras
Covid-19
6 de mai. de 2020, 17:54
— Lusa/AO Online
Em declarações à
agência Lusa, o presidente da ASPP, Paulo Rodrigues, afirmou que o
sindicato enviou, na semana passada, um ofício ao Ministério da
Administração Interna (MAI) a solicitar a distribuição de máscaras
sociais reutilizáveis aos polícias, mas ainda não obteve qualquer
resposta.Paulo Rodrigues acrescentou que
este pedido da ASPP faz agora ainda mais sentido, depois da
Direção-Geral da Saúde (DGS), Ordem dos Médicos e Escolas Médicas terem
alertado que as viseiras de proteção facial não dispensam a utilização
de máscara.No caso da PSP, todos os
elementos policiais têm uma viseira, que é de uso obrigatório, podendo
ser substituído por uma máscara cirúrgica ou comunitária.No
entanto, o presidente do maior sindicato da PSP referiu que, enquanto a
viseira foi distribuída gratuitamente por todos os polícias, a máscara
tem de ser comprada pelos agentes.Segundo
Paulo Rodrigues, os polícias apenas receberam gratuitamente, no início
da pandemia, um ‘kit’ com um par de luvas e uma máscara.Atualmente,
frisou, há muitos polícias a comprarem máscaras para se protegerem, o
que contraria as declarações prestadas na terça-feira, no parlamento,
pelo ministro da Administração Interna, que garantiu que os elementos
das forças e serviços de segurança “não pagaram um cêntimo” do material
de proteção individual, nomeadamente máscaras, que foi distribuído
durante o estado de emergência.Paulo
Rodrigues salientou também que os polícias gostavam ter ouvido do
ministro a garantia que ia distribuir máscaras por todos os elementos. “O
ministro no parlamento devia ter dito que queria que todos os policias
estivessem munidos com viseiras e máscaras”, disse, lamentando que tenha
tido “um discurso muito genérico”.Quando
questionado sobre o uso de máscaras pelos polícias juntamente com a
viseira, Eduardo Cabrita respondeu, no parlamento, que as forças e
serviços de segurança e os bombeiros receberam um 1,6 milhões de
equipamentos de proteção individual, nomeadamente cerca de 600 mil
máscaras, e “vão receber as que foram necessárias para a sua atividade”.
“A utilização de máscara ou de viseira tem a ver com as condições em que a atividade é desenvolvida”, disse ainda o ministro.Para
o presidente da ASPP, os polícias têm “todo o interesse além de
viseira, usar a máscara” por “uma questão de saúde” e por ser mais
prático.Se os técnicos de saúde dizem que
“só a viseira não é suficiente”, por isso o Governo “o mínimo que tem a
fazer é apetrechar os polícias com máscaras reutilizáveis”, vincou.Paulo
Rodrigues disse ainda que, durante o estado de emergência, a viseira
era suficiente, uma vez que nas operações stop se conseguia manter uma
distância mínima.Mas, na situação de
calamidade e com o fim de estado de emergência, as operações são “muito
mais complexas”, exigindo muitas vezes intervenção com os cidadãos, e as
viseiras “não são práticas”.Como exemplo, referiu que, na resolução de um desacato, a viseira “é a primeira coisa que vai saltar”.