Sindicato da PSP estranha contexto em que foi divulgada reportagem sobre frases racistas
17 de nov. de 2022, 12:49
— Lusa/AO Online
Paulo Santos
falava à Lusa a propósito de uma reportagem da
responsabilidade de um consórcio de jornalistas divulgada na
quarta-feira na qual foram mostrados conteúdos e frases de conteúdo
discriminatório, xenófobo e racista publicadas em redes sociais
fechadas, atribuídos a elementos da PSP e da GNR, um caso que já levou a
Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI) a anunciar a abertura de
um inquérito.“Achamos estranho o contexto
em que esta peça foi divulgada sendo facto que já foi gravada há um
tempo a esta parte e quando estamos a falar de um contexto em que temos
uma manifestação marcada para dia 24 e acabámos ontem à noite [quarta]
uma reunião com o senhor ministro relativamente à tabela salarial”,
sublinhou.Paulo Santos disse também à Lusa
estranhar a existência de uma lista com nomes de elementos, de
dirigentes da associação, que não proferiram quaisquer comentários
xenófobos ou racistas.“Achamos estranho,
no entanto, pelo que vim a saber, a existência de uma lista com nomes de
alguns elementos, de dirigentes da associação dos polícias cujo nome
não faz sentido estar lista, porque apenas faziam parte de algumas
plataformas e alguns espaços públicos das redes sociais. Não têm
qualquer comentário xenófobo, racista”, referiu.De
acordo com o presidente da Associação Sindical dos Profissionais da
Polícia (ASPP/PSP), estes elementos fazem parte da lista por estarem
naqueles espaços públicos e não por comentários.“Portanto
vamos avaliar e analisar e apoiar os colegas que pretendam apoio”,
afirmou, acrescentando que o sindicato vai aguardar com “muita
serenidade” pelos resultados dos inquéritos entretanto abertos.“A
ASPP tem mais de três décadas de intervenção sindical com os seus
princípios e valores bem vincados, por isso, não há espaço para
comportamentos que comprometam aquilo que é a dignidade da vida humana
com comportamentos racistas, xenófobos totalmente incompatíveis com a
missão policial. Acho que isto é clarinho como água como se diz em bom
português”, sublinhou.Paulo Santos lembrou
também que a tutela tem mecanismos e instrumentos à disposição para dar
conta daquilo que são eventuais condutas menos corretas por parte dos
profissionais e agir em conformidade e punir elementos com esses
comportamentos.O presidente da ASPP disse
ainda à Lusa que já há algum tempo que tinham conhecimento de que alguns
elementos teriam alguns comentários nas redes sociais.“Nós
próprios já tínhamos alertado para elementos com algumas linhas de
opinião radicais e complicadas e nada foi feito até à data”, disse.Um
consórcio de jornalistas de investigação divulgou na quarta-feira uma
reportagem de Pedro Coelho, Filipe Teles, Cláudia Marques Santos e Paulo
Pena, na SIC, no Setenta e Quatro, no Expresso e no Público, que mostra
que as redes sociais são usadas para fazer o que a lei e os
regulamentos internos proíbem, com base em mais de três mil publicações
de militares da GNR e agentes da PSP, nos últimos anos.No
trabalho são apresentados diversos casos de publicações com teor
racista, xenófobo e discriminatório. Segundo a investigação, todos os
agentes e militares da PSP e da GNR que escreveram as frases em causa
nas redes sociais estão no ativo.