Sindicato da PSP contra intenção de partidos instrumentalizarem manifestação de quinta-feira
21 de nov. de 2022, 16:49
— Lusa/AO Online
A ASPP/PSP vai
realizar na quinta-feira, entre o Largo de Camões e a Assembleia da
República, em Lisboa, uma manifestação contra o arrastar dos problemas
que afetam a Polícia de Segurança Pública e os polícias e contra a
“falta de vontade política do Governo para os resolver”. Entre
os problemas constam os baixos salários, o envelhecimento do corpo
policial e a sobrecarga de trabalho, que torna a carreira pouco
atrativa, e a falta de efetivo.Em
comunicado, a ASPP/PSP afirma “a sua independência de qualquer partido
político” e diz que “não aceita que nenhum partido político tenha a
pretensão de instrumentalizar” a manifestação “sob pena de desrespeitar
os próprios profissionais da PSP”.Numa
carta aberta aos cidadãos, na qual os convida a apoiar a luta dos
polícias, a ASPP sustenta que, “quanto mais motivados e mais preparados
estiverem os polícias, melhor serviço prestam às populações”.“Será
importante todos perceberem que um agente da PSP inicia a sua carreira
profissional atualmente com 809 euros, sendo que, acrescidos os
suplementos remuneratórios, [o salário] ronda os 1.000 euros líquidos”,
refere o maior sindicato da PSP.A somar aos baixos salários, o sindicato aponta “as fracas condições de trabalho e a perda constante de direitos”.“Convém
ainda ter em consideração que os polícias são sujeitos a risco nas suas
atuações, mas a compensação por esse risco foi apreciada pelo Governo
anterior e cifrada em cerca de 68 euros ilíquidos”, sublinha a ASPP/PSP,
destacando o desgaste da missão devido “à rotatividade do trabalho por
turnos, horários noturnos, pressão, pouco amparo familiar por força da
deslocação e cada vez mais trabalho suplementar”. A
ASPP acrescenta que os polícias estão impedidos de sair para a
pré-aposentação antes dos 60 anos de idade, sendo também “assustadora a
realidade relativa aos poucos candidatos que se apresentam aos concursos
de admissão”, o que evidencia “a pouca atratividade” da profissão e
poderá “comprometer o necessário rejuvenescimento da PSP e sua
capacidade operacional”.Na carta, a ASPP indica que alertou o Governo para estas realidades e constrangimentos e recorreu aos autarcas.Segundo
a ASPP, o Governo pretende responder a estas necessidades com
“políticas de caridade e de assistencialismo social” e com aumentos
salariais que, “além de não terem sido negociados, são desajustados para
uma carreira especial da administração pública e uma missão tão
exigente”.O sindicato da PSP critica ainda
a intenção do Governo de criar uma “falaciosa reorganização do
dispositivo policial”, uma vez que pretende “perigosamente criar uma
falsa segurança”, nomeadamente com a criação de esquadras móveis.“A
ASPP/PSP não se opõe a uma eventual reestruturação do dispositivo
policial, mas alerta que os problemas da PSP são estruturais e merecem
respostas concretas que permitam perceber que o efetivo não só é escasso
para as missões de polícia, mas o envelhecimento do efetivo tem de ser
também acautelado, e para tal é importante rejuvenescer, motivar os
profissionais e respeitar a sua condição policial e o seu estatuto
profissional. Isso passa pela valorização salarial, criação de condições
de trabalho, e instituir uma maior capacidade operacional”, refere
ainda a ASPP, na carta aberta enviada aos cidadãos.Para a manifestação de quinta-feira, a ASPP convidou outros sindicatos da PSP e da administração pública.