Sindicato critica pressão comercial sobre companhias após casos de “fumes” em aviões
Hoje 09:35
— Lusa/AO Online
Durante a
ConfCAQ 2026 – Conference on Cabin Air Quality, a decorrer em Lisboa e
dedicada à qualidade do ar nas cabines de aeronaves comerciais, Hélder
Santinhos começou por recordar a história de um colega, que acabou por
ter de abandonar a profissão: “Há alguns anos, um dos nossos colegas
viveu um evento que mudou a sua vida para sempre”.“Durante
a preparação para um voo, um odor estranho invadiu o seu corpo. Pouco
depois sentiu-se mal, teve de ser retirado do voo e os sintomas
agravaram-se rapidamente”, continuou.“Nunca
recuperou por completo. Entre vários problemas graves, os rins deixaram
de funcionar, obrigando-o fazer diálise. De um dia para o outro deixou
de ser piloto”, referiu.O fenómeno
conhecido como “fumes” caracteriza-se pela presença de odores
específicos em áreas localizadas da aeronave, sobretudo nas zonas de
trabalho da tripulação, podendo ocasionalmente provocar sintomas como
tonturas ou mal-estar temporário.O
presidente do SPAC referiu que este “é um problema sério de saúde, não
só para os tripulantes, mas também para os passageiros e pode afetar a
segurança de um voo”.A 16 de maio um avião
da Azores Airlines, com destino ao Porto, não chegou a sair do
aeroporto de Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, no arquipélago dos
Açores, porque a tripulação reportou a deteção de um odor incomum.A
06 de março, um voo da TAP que partiu de Lisboa com destino a Miami,
nos Estados Unidos, divergiu para Ponta Delgada, devido a um caso de
“fumes” a bordo.De acordo com Gabinete de
Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes
Ferroviários (GPIAAF), em 2024, houve 1.249 reportes deste tipo de
ocorrências na base de dados europeia.Neste
sentido, a direção do sindicato sugeriu medidas para conter este
fenómeno, nomeadamente, garantir acompanhamento médico adequado e
proteção social na doença e exigir medidas de mitigação a curto prazo,
sensibilizando as empresas para o cumprimento rigoroso dos procedimentos
de manutenção, resistindo à pressão comercial de colocar os aviões no
ar rapidamente.Trabalhar em soluções
definitivas de longo prazo é também outros dos fatores referidos, pois
“a saúde dos tripulantes e passageiros deveria ser uma prioridade de
todos”, afirmou Hélder Santinhos, criticando a ausência de
representantes do Governo na conferência que decorre no Instituto
Superior de Engenharia de Lisboa (ISEL).