Sindicato contra decisão do INEM de pôr técnicos a desinfetar ambulâncias
Covid-19
2 de jun. de 2020, 09:48
— Lusa/AO Online
O Jornal de Notícias avança na edição de hoje
que as ambulâncias do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) de
Lisboa, onde se concentra agora o surto de Covid-19, não saíram na
segunda-feira em serviço enquanto os profissionais não viram
desinfetados os veículos.Em causa está o
encerramento das linhas de descontaminação de viaturas e fardas, após a
Unidade de Emergência de Proteção e Socorro (UEPS) da GNR ter deixado de
fazer tal serviço.Os técnicos de Lisboa
recusaram-se a sair na segunda-feira e exigiram a reposição do nível de
desinfeção, refere o jornal, adiantando que, para ativar dois de seis
veículos, o INEM teve de recorrer então a um privado, mas convocou os
operacionais para comparecer hoje perante a direção do organismo.
O INEM explicou ao JN que quer que a desinfeção "volte à sua rotina
habitual", feita pelos técnicos, assegurando que estes têm "todos os
equipamentos e produtos necessários para cumprir aquela que é uma das
suas funções: garantir a manutenção e prontidão das ambulâncias".Contactado
hoje pela agência Lusa, o presidente Sindicato dos Técnicos de
Emergência Pré-Hospitalar (STEPH), Pedro Moreira, questionou se a
desinfeção feita pelos técnicos garante o mesmo nível de proteção do que
a realizada pela GNR.“Se o próprio
instituto reconheceu a necessidade dessa desinfeção ser feita e
garantida pela GNR com material e equipamento que por eles era prestado,
e que agora não está a ser disponibilizado pelo instituto, interrogámos
o que é que levou a isso” e se “garante o mesmo nível de proteção”,
disse Pedro Moreira.Por outro lado, alerta
para o tempo que esta operação manual vai demorar em relação à
realizada pela GNR, que “era uma “questão de minutos” e com “a garantia
efetiva de todo o material e equipamento que estes usavam e o seu
profissionalismo”.“Se o processo pela GNR
era um processo rápido em que a indisponibilidade das ambulâncias era de
um tempo muito reduzido agora será um tempo aumentado, porque o
processo de desinfeção sendo manual, contrariamente ao que estava a ser
prestado pela GNR, acarreta uma consequência logo direta de um aumento
de tempo já para não falar do local onde as ambulâncias são desinfetadas
e todas as condições inerentes do processo no que diz respeito a todo
material e ao equipamento de proteção para que isso aconteça”, frisou
Pedro Moreira.O presidente do sindicato
alertou que a desinfeção ao ser feita pelos técnicos irá ser realizada
“em locais muitas vezes públicos, com circulação de outras pessoas em
que vão demorar muito mais tempo”.Isto
porque vão ter de desinfetar “todo o equipamento dentro da ambulância,
um processo muito mais moroso em que coloca as ambulâncias
inoperacionais por muito mais tempo”, insistiu Pedro Moreira.O sindicato já comunicou a situação ao Governo, mas segundo Pedro Moreira ainda “não tiveram qualquer tipo de resposta”.Em
declarações ao Jornal de Notícias, Rui Lázaro, do STEPH, adiantou que
"a GNR informou atempadamente o INEM para a necessidade de substituir a
UEPS, porque tinha de estar disponível para os fogos a partir de 1 de
junho".