Sindicato confiante na correção da tabela salarial na base das Lajes
10 de nov. de 2023, 18:51
— Lusa
“É uma questão de bom senso
e de dignidade. Acredito que se houver o mínimo de firmeza e
determinação da representação portuguesa na comissão bilateral este
problema será facilmente ultrapassado”, afirmou, em declarações à Lusa, o
coordenador do Sindicato das Indústrias Transformadoras, Alimentação,
Comércio e Escritórios, Hotelaria e Turismo dos Açores
(SITACEHT/Açores), Vítor Silva.O dirigente
sindical reuniu-se hoje com o representante da República para os
Açores, Pedro Catarino, depois de se ter reunido nas últimas semanas com
deputados regionais e nacionais e com o vice-presidente do Governo
Regional dos Açores, Artur Lima, representante da região na Comissão
Bilateral Permanente entre Portugal e os Estados Unidos da América
(EUA).Em causa está o pagamento do
vencimento base abaixo do salário mínimo praticado nos Açores, fixado em
janeiro nos 798 euros (mais 5% do que o salário mínimo nacional), que
segundo Vítor Silva afeta oito funcionários portugueses ao serviço das
Feusaçores (forças norte-americanas destacadas na base das Lajes).A
situação arrasta-se desde 2021 e já deu origem a uma queixa por parte
dos trabalhadores, que deverá ser analisada na próxima reunião da
comissão bilateral, prevista ocorrer no mês dezembro, na ilha Terceira.O
dirigente sindical fez um “balanço extremamente positivo” das reuniões,
revelando que “praticamente todas as entidades” concluíram que era
necessário alterar esta situação, em particular o representante da
República para os Açores.“Pela experiência
que o senhor embaixador tem, pelos cargos que exerceu do ponto de vista
diplomático, pela sensibilidade que demonstrou a esta questão e pelo
empenho que assumiu em procurar junto das entidades competentes
encontrar uma solução, penso que será um contributo muito importante
para resolver este processo”, vincou.Para o
dirigente sindical, mais do que alterar o valor dos escalões mais
baixos da tabela salarial, para que ultrapassem o valor mínimo praticado
nos Açores, é preciso rever toda a tabela, para evitar situações
semelhantes no futuro.“Se nada for feito,
já em 01 de janeiro de 2024, não serão quatro graus da tabela salarial,
serão seis graus da tabela salarial abaixo do salário mínimo praticado
na região e quatro graus abaixo do salário mínimo nacional. Para se
resolver o problema, tem de haver uma atualização de toda a tabela
salarial, porque senão ano após ano vamos continuar com este problema”,
frisou.Vítor Silva disse que o sindicato
tem reivindicado a resolução do problema dos oito funcionários com
vencimento base abaixo do salário mínimo, por considerar que se trata de
uma “injustiça” e de uma “violação” do direito internacional, mas
alertou que se não houver uma revisão da tabela poderá haver
“descontentamento e revolta generalizada da parte dos trabalhadores”.“Aquilo
que os trabalhadores portugueses ganham, em relação àquilo que outros
trabalhadores noutras bases da Europa que estão ao serviço dos
norte-americanos ganham, é manifestamente inferior. Aquilo que um
trabalhador português a desempenhar as mesmas funções que um
norte-americano ganha também é manifestamente inferior”, sublinhou.O
sindicalista voltou a defender a retoma do método do inquérito
salarial, em vigor até 2009, que determinava os aumentos salariais na
base das Lajes com base na média de aumentos de um grupo de empresas dos
Açores e dos EUA.