Sindicato classifica como “desastre” o processo de colocação de professores na Madeira
Hoje 16:36
— Lusa/AO Online
“Nós denunciamos o desastre destas colocações, as piores desde 2014”, afirmou o coordenador do sindicato, Francisco Oliveira, defendendo que nenhum professor deve ficar desempregado ou enfrentar uma situação laboral pior da que teve no ano letivo anterior.O sindicalista falava em conferência de imprensa, no Funchal, na qual abordou vários problemas relacionados com o arranque do novo ano letivo na Região Autónoma da Madeira, nomeadamente o processo de colocação de professores.“No ano passado foram contratados mais de 400 professores, este ano apenas 216”, disse, avisando que, entretanto, saíram mais de 200 docentes do sistema: 150 por aposentação e 57 por colocação no continente.Francisco Oliveira considera ser agora necessário contratar pelo menos 500 professores.“É um drama sério para o futuro da educação [a falta de docentes] e põe em causa a sustentabilidade no futuro sistema educativo regional, porque sem professores, sem educadores, não há educação”, alertou.Por outro lado, disse não haver diminuição do número de alunos para justificar a redução das contratações.“De madeira nenhuma”, afirmou, explicando que, atualmente, o “argumento demográfico” não tem fundamento tendo em conta o número de estrangeiros e lusodescendentes que residem na Madeira, sobretudo oriundos da Venezuela.“Há mais alunos nas escolas”, observou, reforçando: “Conhecemos escolas que tiveram inclusivamente de fazer obras para abrir mais salas, porque o número de alunos está a aumentar a um ritmo muito elevado.” O ano letivo 2026/2027 na Região Autónoma da Madeira arranca na quinta-feira, 10 de setembro, para o 1.º ciclo do ensino básico, e entre os dias 11 e 14 de setembro para os 2.º e 3.º ciclos do ensino básico (desde o 5.º ao 9.º ano) e para o ensino secundário (do 10.º ao 12.º ano).Já as atividades com crianças nas creches, jardins-de-infância, infantários e unidades de educação pré-escolar começaram hoje.A Secretaria Regional de Educação, Ciência e Tecnologia ainda não divulgou dados referentes ao novo ano letivo, nomeadamente sobre o número total de professores, de alunos e de escolas, mas a Direção de Administração Educativa já indicou que foram contratados 216 docentes, afetados a 62 estabelecimentos. Na quarta-feira, o Sindicato dos Professores da Madeira promove uma manifestação em frente à Secretaria Regional, no Funchal, designada “Tribuna Pública da Indignação de Professores e de Educadores”.Francisco Oliveira explicou que o objetivo é dar voz a centenas de docentes que estão “muito revoltados” com o processo de colocação.