Sindicato chega a acordo com empresa Praia Ambiente e desconvoca greve
12 de set. de 2025, 14:48
— Lusa/AO Online
“Os
trabalhadores, após ponderação, decidiram não levar avante a greve e a
manifestação que estava agendada para hoje, uma vez que a administração
abriu espaço para a negociação e foi obtida uma convergência entre as
pretensões da Praia Ambiente e dos trabalhadores”, adiantou, em
declarações à Lusa, a dirigente do STAL Benvinda Borges.No
início de agosto, os trabalhadores da Praia Ambiente avançaram com um
dia de greve, reivindicando igualdade de tratamento, por ter sido
atribuído um aumento salarial superior a quatro funcionários.Para esta sexta-feira estava marcada uma nova paralisação, mas o sindicato chegou a
acordo com a administração e assinou um novo Acordo de Empresa.Segundo
Benvinda Borges, além de efetivar os aumentos salariais, que já estavam
a ser implementados desde janeiro, o acordo coloca por escrito a
aplicação de 35 horas semanais e a equiparação de outros direitos, como o
número de dias de férias, aos dos trabalhadores da Câmara Municipal da
Praia da Vitória.Nem todas as
reivindicações do sindicato foram aceites, mas a dirigente sindical
salientou que nas negociações “há avanços e recuos”.O
STAL pretendia que fossem atribuídos seis pontos, um por cada ano de
serviço, desde 2019, a todos os trabalhadores, mas só conseguiu
assegurar três pontos para todos.Também em
relação ao suplemento de insalubridade e penosidade, a estrutura
representativa pretendia que fosse atribuído o valor máximo (4,99 euros)
a todos os trabalhadores dos resíduos sólidos, mas conseguiu apenas
para “mais alguns”.“A empresa
comprometeu-se com a revisão da negociação no ano de 2026, permitindo
uma análise fidedigna da sua situação financeira”, revelou Benvinda
Borges.Quanto aos aumentos atribuídos a
quatro trabalhadores, que desencadearam o protesto dos funcionários, a
dirigente sindical disse que a empresa reiterou ter-se tratado de um
erro.“Foi assumido como um erro pessoal do
presidente do conselho de administração e sabe-se que não foi o que
aconteceu, porque não se faz um aditamento a um contrato com um erro
pessoal”, alegou.Apesar de reivindicarem
aumentos salariais iguais aos atribuídos, alegadamente por engano, os
trabalhadores decidiram separar este caso das negociações do Acordo de
Empresa.“Os trabalhadores decidiram assinar, porque isto é uma situação que pode levar algum tempo”, explicou Benvinda Borges.Segundo
a dirigente sindical, a administração pediu aos trabalhadores
para devolverem o aumento pago com retroativos a janeiro, mas a Inspeção
Regional do Trabalho tem uma leitura diferente.O STAL está ainda a analisar com os seus associados, abrangidos por esta situação, se avançará com uma queixa em tribunal.Questionado pela Lusa, o presidente do conselho de administração da empresa,
Ricky Baptista, que é também vice-presidente da Câmara Municipal da
Praia da Vitória, disse que o acordo alcançado com o STAL “é um bom
acordo que representa a defesa dos trabalhadores e os deveres do
conselho de administração”.“Estamos muito satisfeitos por termos conseguido este acordo, com muito trabalho das duas partes”, afirmou.A
Praia Ambiente já tinha assinado, em julho, um novo Acordo de Empresa
com o Sindicato dos Trabalhadores da Administração Pública e de
Entidades com Fins Públicos (Sintap).“Estamos
muito contentes por termos conseguido ter, este ano, dois acordos novos
com os dois sindicatos”, salientou Ricky Baptista.Questionado
sobre a possibilidade de os quatro trabalhadores aumentados,
alegadamente por engano, virem a recorrer aos tribunais, o presidente do
conselho de administração disse apenas que “é uma questão que está a
ser tratada” e que “está a seguir os seus trâmites”.