Sindicato apela a intervenção de governos em defesa de trabalhadores precários da base das Lajes
27 de nov. de 2019, 12:53
— Lusa/AO Online
“É inaceitável que um Estado estrangeiro, que
está a usufruir de uma base militar portuguesa, pelo menos na única
contrapartida que é visível, que são os postos de trabalho, não cumpra a
100%. Para nós não é aceitável que haja trabalhadores precários na base
das Lajes”, afirmou o coordenador do Sindicato dos Trabalhadores das
Indústrias Transformadoras, Alimentação, Bebidas e Similares, Comércio,
Escritórios e Serviços, Hotelaria e Turismo dos Açores (SITACEHT) e da
União dos Sindicatos de Angra do Heroísmo (USAH), Vítor Silva, numa
conferência de imprensa, em Angra do Heroísmo.O
caso já tinha sido denunciado no início de novembro pela Comissão
Representativa dos Trabalhadores (CRT) e envolve 11 funcionários ao
serviço das Feusaçores (forças norte-americanas destacadas na base das
Lajes), na ilha Terceira, com contratos a termo, que temem ser
dispensados e outros dois que já terminaram o contrato. O
sindicato alega que várias destas situações poderão corresponder a
necessidades permanentes de trabalho, dando como exemplo o caso de uma
pessoa que trabalha na infraestrutura militar com contratos a termo há
18 anos.“Para o Movimento Sindical
Unitário Açoriano a dispensa destes trabalhadores é no mínimo estranha,
porque estão a abrir vagas para as mesmas funções”, frisou o
sindicalista.Segundo Vítor Silva, o
Regulamento de Trabalho em vigor para a base das Lajes “determina que os
contratos de trabalho temporário a termo certo destinam-se apenas a
situações em que se verifique acréscimo temporário da atividade de um
departamento ou quando seja necessário o desempenho de uma tarefa
ocasional ou uma tarefa temporária específica, sendo que a contratação
temporária também se pode colocar para candidatos ao primeiro emprego ou
desempregados de longa duração”. “Tendo
por base o enquadramento legal, facilmente se percebe que alguns destes
trabalhadores estão a desempenhar funções que têm uma necessidade
continua e permanente, logo deviam ter um vínculo de trabalho efetivo”,
sublinhou.Questionado sobre a
possibilidade de os funcionários já dispensados levarem o caso a
tribunal, Vítor Silva disse que terá uma reunião com a CRT no dia 06 de
dezembro para discutir esta e outras questões. Em
2015 e 2016, mais de 400 trabalhadores portugueses da base das Lajes,
com contrato sem termo, assinaram rescisões por mútuo acordo, na
sequência da redução do efetivo norte-americano de 650 para 165
militares.A administração norte-americana
comprometeu-se a manter 417 postos de trabalho para portugueses, dos
quais 416 estão atualmente preenchidos com contratos sem termo.Segundo
o coordenador da USAH, “em certas áreas não houve redução de trabalho,
apenas de pessoal”, o que tem provocado uma “sobrecarga” dos
funcionários. Vítor Silva lamentou também
o facto de o número de postos de trabalho efetivos na base das Lajes
“não ultrapassar os 417 trabalhadores”, acusando as autoridades
portuguesas de “incapacidade negocial”.“Não
conseguimos estabelecer um número mínimo de trabalhadores portugueses
que pudesse evitar possíveis despedimentos, antes pelo contrário,
estabeleceu-se um número máximo que impede futuras contratações”,
apontou, defendendo um contingente mínimo de três trabalhadores
portuguesas por cada militar norte-americano, num número nunca inferior a
450.